WASHINGTON (22/08/2025) – A Casa Branca confirmou a aquisição de 10% do capital da Intel pelo governo dos Estados Unidos, em operação avaliada em US$ 8,9 bilhões (cerca de R$ 48,5 bilhões). O anúncio foi feito pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, que classificou o negócio como “histórico” para manter a liderança norte-americana na produção de semicondutores.
Intervenção direta
Embora incomum, a compra de participação em uma gigante do setor privado segue outras iniciativas recentes do segundo mandato de Donald Trump. Neste mês, Nvidia e AMD aceitaram repassar 15% da receita obtida na China ao Tesouro norte-americano. Em dezembro, a venda da US Steel para a japonesa Nippon Steel concedeu ao governo dos EUA uma golden share, com poder de veto e direito a uma cadeira no conselho. Em julho, Washington tornou-se o maior acionista da MP Materials, única mina de terras raras em operação no país.
Motivação estratégica
Geoffrey Gertz, pesquisador do Centro para uma Nova Segurança Americana, avalia que a administração Trump “força os limites” ao fechar acordos isolados com empresas específicas, em vez de adotar diretrizes setoriais amplas. Já Sujai Shivakumar, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, defende o investimento: “A Intel é mais que uma companhia; é vital para a competitividade dos EUA”.
Desafios da Intel
A fabricante, sediada na Califórnia, enfrenta dificuldades para competir com a TSMC na produção de chips avançados e ficou para trás no mercado de semicondutores destinados à inteligência artificial, hoje dominado pela Nvidia. Apesar disso, as ações da Intel subiram mais de 6% após o anúncio da Casa Branca.
Recursos e origem dos fundos
Segundo comunicado da própria Intel, parte dos recursos usados pelo governo para comprar as ações virá dos subsídios previstos no CHIPS Act de 2022 e de outras fontes federais. O presidente Trump, crítico da lei no passado, recuou após reunião com o CEO da empresa, Lip-Bu Tan.
Riscos apontados
Especialistas alertam para possíveis distorções de mercado. “Há perigo de capitalismo de compadrio, com poucas empresas protegidas pelo Estado”, afirma Gertz. Shivakumar concorda que é preciso equilíbrio: “Não se trata de um cheque em branco, mas de política industrial inteligente”.

Imagem: Internet
Para entender mais sobre o CHIPS Act, que direciona investimentos federais para a indústria de semicondutores, consulte a página oficial do Departamento de Comércio dos EUA neste link.
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O investimento reforça a aposta de Washington na produção doméstica de chips e reacende o debate sobre o papel do Estado na economia. Continue acompanhando nossos conteúdos para receber atualizações sobre tecnologia e mercado.
Com informações de G1
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