Washington (25/08/2025) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu nesta segunda-feira (25) seu ataque mais direto ao Federal Reserve (Fed) ao anunciar que pretende destituir a economista Lisa Cook do cargo de diretora da instituição. A legislação de 1913 que regula o banco central, porém, permite a remoção de dirigentes apenas por “justa causa”, o que limita a autoridade do chefe do Executivo.
Acusação e base legal
Trump vinculou a saída de Cook a uma denúncia de fraude hipotecária apresentada por William Pulte, diretor da Agência Nacional de Financiamento de Habitação dos EUA. O caso foi encaminhado pelo próprio Fed ao Departamento de Justiça, mas especialistas lembram que a alegação se refere a transações ocorridas antes de Cook assumir o cargo, o que fragiliza o argumento de “má conduta” durante o mandato.
Estratégia para ganhar influência
Analistas veem a iniciativa como parte de um plano mais amplo de Trump para formar maioria no conselho do Fed e, assim, pressionar por cortes de juros. Desde o início do mandato, o republicano critica a política monetária da instituição, alegando que taxas mais baixas poderiam acelerar o crescimento, mesmo com o risco de maior inflação.
Reação contida dos mercados
Até agora, investidores não exibiram forte aversão ao movimento. Segundo Leonel Mattos, da StoneX, predominam duas leituras: descrédito na possibilidade de o presidente remover a diretora ou expectativa de que uma influência política sobre o Fed possa favorecer o ambiente de negócios para determinados setores.
Riscos para a credibilidade
Economistas, como Maykon Douglas, alertam que qualquer interferência sobre a autoridade monetária pode corroer a confiança na capacidade do Fed de controlar a inflação. Nesse cenário, prêmios exigidos pelos títulos públicos tendem a subir, elevando o custo de financiamento de longo prazo e colocando pressão adicional sobre o dólar.
Efeitos para o Brasil
A possível perda de prestígio do banco central norte-americano já afeta o mercado cambial. O índice DXY recua 10,2% no ano, e a divisa norte-americana acumula baixa de 12,07% frente ao real. Para o estrategista William Castro Alves, da Avenue, a desvalorização da moeda dos EUA reduz o custo de importações brasileiras e pode abrir espaço para cortes na Selic, hoje em 15% ao ano.
Enquanto o impasse não se resolve, investidores acompanham os desdobramentos em Washington para avaliar o grau de autonomia do Fed, considerado pilar da estabilidade econômica global.

Imagem: Internet
Com informações de g1
Estudos do Federal Reserve Board indicam que mandatos longos no conselho foram criados justamente para blindar a instituição de pressões políticas.
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Em resumo, a disputa evidencia o delicado equilíbrio entre interesses políticos e autonomia monetária. Acompanhe no site as próximas atualizações sobre o tema.
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