Buenos Aires – O governo do presidente argentino Javier Milei anunciou na terça-feira (2) novas intervenções no mercado de câmbio, utilizando o Tesouro Nacional para comprar e vender dólares com a meta de ampliar a oferta da moeda norte-americana e reduzir a volatilidade do peso.
Medida surpreende por vir de agenda ultraliberal
A decisão chama a atenção porque Milei construiu sua plataforma defendendo mínima participação do Estado na economia. Em abril, o Executivo havia abolido o “cepo”, mecanismo que limitava a compra de dólares pela população, classificando a mudança como um passo decisivo rumo à liberalização cambial.
Principais motivos da intervenção
1. Pressão sobre o peso e risco inflacionário
Mesmo após cortes drásticos nos gastos públicos que reduziram a inflação anual acima de 200%, o país não conseguiu recompor reservas internacionais. Desde o fim do “cepo”, a moeda argentina perdeu valor e as reservas chegaram a US$ 7 bilhões negativos, segundo dados oficiais. O governo elevou juros e restringiu operações bancárias, mas a escalada da demanda por dólares levou à intervenção direta.
2. Escândalo de corrupção
Gravações divulgadas no fim de agosto apontam o ex-aliado Diego Spagnuolo acusando a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e o subsecretário Eduardo Lule Menem de cobrar propina de fabricantes de medicamentos. A crise política abalou a confiança de investidores estrangeiros, que voltaram a retirar recursos do país.
3. Clima eleitoral adverso
A retomada das operações do Tesouro ocorre quatro dias antes das eleições provinciais de Buenos Aires, marcadas para domingo (7). Pesquisas citadas por consultorias mostram a aprovação de Milei em 41%, oito pontos abaixo do registrado cinco semanas atrás, após derrotas legislativas que travaram cortes de gastos e decretos presidenciais.
Reação do mercado
Economistas ouvidos por agentes financeiros veem a iniciativa como recuo tático. Para Carlos Henrique, diretor de operações da Frente Corretora, a medida “representa contenção de crise” e contraria a defesa de autorregulação de mercado feita pelo presidente.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém indicadores atualizados sobre as reservas argentinas, consideradas vitais para o sucesso de qualquer estratégia de estabilização.
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As próximas semanas serão decisivas para avaliar se a intervenção reduzirá a pressão sobre o peso e acalmará investidores. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para manter mais pessoas informadas.
Com informações de G1
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