Brasília – Passados 30 dias da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos de origem brasileira, micro e pequenos exportadores relatam cancelamento de contratos, redução de preços e incerteza sobre o futuro dos negócios.
Café especial sem destino definido
A mineira Daniele Alkmin, diretora da exportadora Agrorigem, em Santa Rita do Sapucaí (MG), viu dois embarques de café especial – programados para 21 de julho e setembro – serem suspensos logo após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump em 9 de julho. Os EUA respondiam por 30% do faturamento anual da empresa.
O importador norte-americano negociou seguidas mudanças de reserva de navio, na expectativa de que o grão entrasse na lista de exceções da tarifa, o que não ocorreu. Sem acordo para dividir o custo extra, o cliente cancelou as 640 sacas (34,8 toneladas) já vendidas.
A empresária afirma que só soube depois que poderia ter embarcado os lotes até 6 de agosto sem pagar a sobretaxa. Agora, tenta redirecionar o café a compradores na Noruega e em Dubai. “Se não fechar até outubro, terei de vender por preço menor, porque o café perde qualidade”, explica.
Queda de 18% no preço do mel
No interior da Bahia, em Cipó, o apicultor Joaquim Rodrigues calcula recuo de aproximadamente 18% no valor pago pelas exportadoras que compram seu mel. O quilo caiu de R$ 17 para R$ 14. A produção anual de 20 toneladas tem 90% destinada ao exterior, principalmente aos EUA.
Presidente da Associação dos Apicultores de Cipó (AAPIC), ele aguarda detalhes sobre a compra de excedentes prometida pelo governo federal por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Ainda não sabemos como participar”, diz.
Uva do Vale do São Francisco sob incerteza
Produtor de uva em Petrolina (PE), Jailson Lira depende dos EUA para 40% da receita. A fruta é enviada em consignação e o preço final só é definido na chegada, prevista para a última semana de setembro. “O negócio já era no escuro; agora, é mais ainda”, resume. Ele procura novos mercados internos, mas teme saturação e menor rentabilidade.
Segundo levantamento da Ministério da Agricultura e Pecuária, os EUA costumam absorver grande parte das exportações brasileiras de café, mel e frutas frescas, o que amplia o impacto da tarifa de 50% sobre pequenos produtores.
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As histórias mostram como a sobretaxa afeta cadeias produtivas inteiras, interrompendo relações comerciais construídas ao longo de anos. Continue acompanhando o SePorDentro para atualizações sobre o tema e orientações a produtores.
Com informações de g1
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