Brasília – A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (1º/10) o projeto de lei que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5.000 por mês. O texto, considerado prioridade pelo governo Lula, recebeu 493 votos favoráveis e agora será analisado pelo Senado.
A proposta também reduz as alíquotas para rendimentos entre R$ 5.000 e R$ 7.350 mensais. Para compensar a perda de arrecadação, o PL cria uma tributação mínima de até 10% sobre contribuintes com ganhos a partir de R$ 600 mil por ano (ou R$ 50 mil mensais). A alíquota sobe gradualmente e atinge o teto de 10% somente para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão anuais.
Impacto fiscal
De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a ampliação da isenção deverá reduzir a receita em R$ 25,8 bilhões em 2026. A cobrança mínima dos mais ricos, por sua vez, tem potencial de gerar R$ 25,2 bilhões no mesmo período. O governo calcula que cerca de 141,4 mil contribuintes – 0,06% da população – serão afetados pela nova alíquota mínima.
Tramitação e emendas
Relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), o projeto foi enviado ao Congresso em março. Dos mais de cem destaques apresentados, Lira acatou três emendas que ajustam detalhes da base de cálculo para cartórios, empresas participantes do Prouni e da própria tributação mínima.
O texto precisa ser aprovado pelo Senado até o fim do ano para valer no ano-calendário de 2026, respeitando o princípio da anterioridade previsto na Constituição.
Contexto da tabela do IR
Hoje, a faixa de isenção está fixada em R$ 2.259, mas um desconto simplificado permite que pessoas com até dois salários mínimos (R$ 3.036) fiquem, na prática, livres do tributo. Com a mudança aprovada, o governo estima beneficiar cerca de 10 milhões de contribuintes.
Parlamentares da oposição classificam a medida como “eleitoreira” e apontam riscos ao equilíbrio fiscal. Já o Palácio do Planalto argumenta que a tributação mínima reequilibra o sistema, após anos de defasagem da tabela e de queda no peso do imposto pago pelos mais ricos.
Agora, o projeto segue para apreciação no Senado, onde a equipe econômica espera concluir a votação ainda em 2025.
Próximos passos – Se confirmada a aprovação pelos senadores sem alterações, a nova tabela entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e será declarada pelos contribuintes em 2027.
Fim
Dados oficiais sobre faixas de tributação podem ser consultados diretamente no site da Receita Federal.
Para acompanhar outras decisões do Congresso que impactam seu bolso, veja também a cobertura em Política e mantenha-se informado.
Com informações de G1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








