A proposta que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, aprovada esta semana pela Câmara dos Deputados, tende a aumentar o gasto das famílias e estimular o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de acordo com economistas ouvidos.
Impacto direto na renda
O economista sênior do Inter, André Valério, calcula que cerca de 65% dos declarantes ficarão isentos, gerando transferência estimada em R$ 32,8 bilhões no próximo ano. “Grande parte dessa renda extra deve retornar ao consumo, beneficiando, principalmente, educação, serviços pessoais e itens de higiene”, afirmou.
Leonardo Costa, do ASA, acrescenta que o impulso ao PIB poderá variar de 0,1 a 0,2 ponto percentual em 12 meses, com maior efeito em supermercados, farmácias, restaurantes e serviços de proximidade.
Reflexos sobre inflação e juros
Ao elevar a demanda, a medida pode pressionar a inflação, sobretudo no setor de serviços, segundo Valério. Ele observa que possíveis perdas de arrecadação, caso a compensação não seja suficiente, podem elevar a percepção de risco fiscal e encarecer juros e câmbio.
Costa avalia que o Banco Central pode adotar postura mais cautelosa, mas mantém expectativa de início do ciclo de corte da Selic em janeiro.
Efeitos no mercado de trabalho
Para Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, empresas devem revisar contratos, benefícios e estruturas internas diante da nova faixa de isenção e da taxação maior sobre altas rendas. Costa destaca que salários líquidos mais elevados podem reduzir pressões por reajustes, embora a demanda aquecida por serviços possa sustentar pedidos de aumento em setores com oferta restrita de mão de obra.
A proposta segue agora para análise do Senado Federal. Se aprovada, passará a valer a partir de 2026, incluindo também redução de alíquotas para quem ganha até R$ 7.350 mensais, beneficiando cerca de 15 milhões de contribuintes.
Próximos passos: o texto precisa ser votado pelos senadores; após aprovação, será enviada à sanção presidencial. A Receita Federal deverá atualizar as tabelas de retenção na fonte e o programa de declaração anual.
Com a possível entrada em vigor, especialistas recomendam que contribuintes façam simulações para entender o novo impacto em seus rendimentos.
Segundo a Receita Federal, alterações nas alíquotas exigem ajustes nos sistemas de folha de pagamento, o que deve ser observado por empresas e empregadores.
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Com informações de G1
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