Brasília, 17.out.2025 — O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou nesta sexta-feira (17) que a pasta voltou a intervir nos mercados cambiais para sustentar o peso argentino. Segundo Bessent, a operação ocorreu na véspera, quando foram adquiridos pesos tanto por meio do “swap de blue chips” quanto no mercado à vista.
O movimento faz parte do pacote de apoio ao presidente argentino, Javier Milei, anunciado recentemente pelo governo norte-americano. “O Tesouro mantém diálogo constante com a equipe econômica argentina”, escreveu Bessent na rede social X, acrescentando que a meta é “tornar a Argentina grande novamente”, em referência ao slogan de Donald Trump.
Mercado reage com volatilidade
Mesmo com a intervenção, o peso chegou a recuar 3,4% no início do pregão desta sexta, enquanto a cotação paralela caiu mais de 1%, informou a agência Bloomberg. Posteriormente, a moeda estabilizou em 1.430 pesos por dólar.
Condicionantes políticas
O ex-presidente Donald Trump, principal fiador do programa de até US$ 40 bilhões (cerca de R$ 217 bilhões) em recursos públicos e privados, condicionou a continuidade do auxílio ao desempenho de Milei nas eleições legislativas de 26 de outubro. “Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina”, afirmou.
O posicionamento provocou novas oscilações nos ativos argentinos durante a semana. Diante das críticas, o ministro da Economia, Luis Caputo, declarou que a agenda econômica não será alterada, independentemente do resultado das urnas, e mencionou negociações em curso com empresas norte-americanas para investimentos adicionais.
Pressões internas nos EUA
Dentro dos Estados Unidos, parlamentares democratas e representantes do agronegócio questionam o apoio bilionário, lembrando que o país enfrenta paralisação parcial do governo (shutdown) e perda de mercado para a soja argentina na China.
Apoio multilateral
Além do respaldo norte-americano, o Banco Mundial antecipou a liberação de até US$ 4 bilhões de um plano total de US$ 12 bilhões destinado a reformas e ao crescimento de longo prazo da Argentina.
O ambiente político em Buenos Aires segue tenso após a vitória peronista nas eleições provinciais de setembro e denúncias de corrupção que envolvem Karina Milei, irmã do presidente. Na ocasião, o índice S&P Merval despencou 13,23%, os títulos de 35 anos caíram quase 8% e o peso perdeu 4,25%.
As novas compras de moeda pelo Tesouro norte-americano buscam afastar temores de que a instabilidade política inviabilize o ajuste fiscal defendido por Milei.
Matéria encerrada.
Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que a Argentina enfrenta uma das taxas de inflação mais altas do mundo, fator que agrava a volatilidade cambial.
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Resumo: O Tesouro dos EUA voltou a comprar pesos para conter a queda da moeda argentina, reforçando a parceria com o governo Milei; no entanto, a continuidade do pacote bilionário depende do resultado eleitoral. Continue ligado no Se Por Dentro para receber atualizações em tempo real.
Com informações de g1
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