PEQUIM, 18 de outubro de 2025 — O governo chinês confirmou que iniciará “o mais rápido possível” uma nova rodada de negociações comerciais com os Estados Unidos, numa tentativa de conter a escalada da guerra tarifária desencadeada após o anúncio de sobretaxa de 100% sobre produtos chineses.
O entendimento foi alcançado durante uma videoconferência entre o vice-premiê He Lifeng, principal negociador de Pequim, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. De acordo com a agência estatal Xinhua, o diálogo foi “franco, profundo e construtivo”.
Pressão tarifária de Washington
Horas antes da sinalização chinesa, o presidente dos EUA, Donald Trump, justificou a medida tarifária alegando que as práticas de Pequim deixaram Washington “sem alternativa”. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor em 1º de novembro.
Trump também declarou que pretende se reunir com o presidente Xi Jinping dentro de duas semanas, na Coreia do Sul, para tratar do impasse. “Vamos ver o que acontece”, afirmou o republicano em entrevista à Fox Business Network.
Críticas na Organização Mundial do Comércio
Em paralelo, a missão chinesa na Organização Mundial do Comércio (OMC) acusou os Estados Unidos de enfraquecer o sistema multilateral desde o início do atual governo, citando “tarifas de retaliação” e “sanções unilaterais” contrárias às regras da entidade.
Pequim informou que um relatório do Ministério do Comércio avaliará o cumprimento das normas em 11 áreas e renovará o apelo para que Washington “respeite os compromissos” assumidos.
Contramedidas e mercado global
No front doméstico, o Ministério do Comércio chinês classificou como “hostil” a intenção americana de elevar tarifas e prometeu “medidas correspondentes” para proteger seus interesses. Entre elas está o controle de exportação de elementos de terras raras, crucial para diversos setores de tecnologia.
Com custos mais altos para vender nos EUA, exportadores chineses vêm redirecionando embarques para Europa, América Latina e Oriente Médio. Mesmo assim, empresários relatam aumento da concorrência e queda de preços.
Impacto nos mercados
As tensões também pesaram sobre as bolsas asiáticas. O índice Hang Seng, de Hong Kong, encerrou a semana com baixa acumulada de 4%, enquanto o CSI300, da China continental, caiu pouco mais de 2%.
Para acompanhar todos os desdobramentos das relações entre Estados Unidos e China, o leitor pode acessar a editoria de Internacional do Sé Por Dentro, onde as atualizações serão publicadas.
As tratativas devem seguir intensas nas próximas semanas, quando Trump e Xi Jinping se encontrarem pessoalmente. Até lá, o mercado continuará atento a novos anúncios de ambos os lados.
Com informações de g1
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