O Governo de Sergipe desembarca na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA), com um portfólio de ações voltadas à economia de baixo carbono e à transição energética. A estratégia é coordenada pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE) por meio do Plano Sergipano de Economia Verde (PSEV), instituído pelo Decreto nº 1.016/2025.
Meta é atrair investimentos e gerar empregos verdes
O PSEV orienta políticas de bioeconomia, energia renovável, economia circular, infraestrutura verde e mercado de carbono. O objetivo é captar recursos sustentáveis, impulsionar postos de trabalho de baixa emissão e alinhar o estado aos seis eixos temáticos da Agenda de Ação da COP 30, que envolvem desde energia limpa até financiamento climático.
Matriz quase totalmente limpa
Com 98% da energia produzida a partir de fontes renováveis, Sergipe figura entre os estados mais sustentáveis do país. Em 2023, foram gerados 6.853 GWh, dos quais 6.291 GWh vieram de usinas hidrelétricas — destaque para Xingó, com 3.162 MW de potência instalada e responsável por 30% da eletricidade do Nordeste. A produção incluiu ainda 193 GWh solares, 151 GWh termelétricos e 118 GWh bioelétricos.
O inventário estadual mostra 9,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, o menor volume do Nordeste e equivalente a 0,5% das emissões nacionais.
Projetos estruturantes
A principal aposta para escalar a descarbonização é o Hub de Hidrogênio Verde, que funcionará na Zona de Processamento de Exportação de Santo Amaro das Brotas. A Green Energy Park (GEP) operará uma planta de 1,2 GW interligada ao Sistema Interligado Nacional e ao Terminal Marítimo Inácio Barbosa.
Na geração solar, a Energias do São Francisco (Enesf) prepara até 1,3 GW em Canindé de São Francisco, enquanto a espanhola Solatio planeja projetos que combinam hidrogênio verde e data centers sustentáveis. Já o estudo com a Exa Data Centers avalia a construção de um hyperscaler movido a energia renovável, aproveitando a localização estratégica para cabos submarinos.
Condicionantes naturais favoráveis
Irradiação solar entre 4,19 e 4,78 kWh/kWp/dia, ventos de até 494 W/m² e disponibilidade de biomassa de cana-de-açúcar, mandioca e girassol reforçam o potencial para novos empreendimentos. O Porto de Sergipe, em Barra dos Coqueiros, abriga ainda a maior termelétrica a gás natural da América Latina e deve apoiar a cadeia de produção de hidrogênio verde ao custo estimado de US$ 2,66/kg até 2030.
Posicionamento das lideranças
O governador Fábio Mitidieri afirma que Sergipe “está pronto para liderar a transição energética no Nordeste” e pretende usar a COP 30 como vitrine para atrair novos negócios. Para o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, “a economia verde já provou ser econômico e competitivo”, lembrando que 91% dos projetos renováveis no mundo, em 2024, custaram menos que empreendimentos fósseis.
Além da energia, o PSEV inclui medidas como criação do Fundo Estadual de Ativos Ambientais, estímulo ao mercado de crédito de carbono e políticas de Pagamento por Serviços Ambientais, ampliando a resiliência hídrica e a eficiência energética em prédios públicos.
Com esses indicadores, Sergipe chega à COP 30 como case de descarbonização, reforçando o compromisso de conciliar crescimento econômico, inclusão social e respeito ao meio ambiente.
Com informações de Governo de Sergipe
Dados publicados pela Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reforçam a tendência nacional de expansão das fontes renováveis, em linha com as metas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris.
Saiba mais sobre iniciativas sustentáveis na seção Sergipe do nosso portal.
Resumo: Sergipe levará à COP 30 resultados tangíveis de uma matriz quase totalmente renovável e projetos de hidrogênio verde que podem colocar o estado na vanguarda da transição energética brasileira. Acompanhe nossa cobertura e fique por dentro das próximas etapas dessa agenda.
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