São Paulo (SP), 15 jan. – Faltando um ano para a escolha do próximo presidente, o São Paulo Futebol Clube enfrenta nova turbulência administrativa. Um áudio divulgado recentemente expôs negociações para a venda de um camarote do MorumBis, que nem sequer está disponível comercialmente, envolvendo dirigentes ligados ao atual mandatário Júlio Casares.
Áudio revela pressão sobre intermediária
Na gravação, Mara Casares – ex-esposa do presidente – e o diretor licenciado Douglas Schwartzmann conversam com Rita de Cássia Adriana Prado, responsável pela intermediação da venda de ingressos para shows. Eles pedem que Rita retire um processo judicial contra o clube relacionado a valores não repassados. O conteúdo veio a público depois que o São Paulo foi notificado a prestar esclarecimentos à Justiça.
A divulgação motivou conselheiros de oposição a cobrarem o Conselho Deliberativo por um possível afastamento de Casares. Antes disso, já havia sido protocolado um pedido de renúncia.
Ministério Público acionado
O grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo prepara o registro de uma notícia-fato no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que o órgão investigue o caso. A Procuradoria já recebeu denúncia anônima que aponta possível gestão temerária no clube.
Em nota, a diretoria tricolor informou que abrirá sindicância interna. Júlio Casares, segundo apuração do jornal Estadão, descarta renunciar ou se licenciar.
Sucessão em disputa
O episódio atinge diretamente o planejamento eleitoral de 2026. Casares tem como preferido o superintendente Márcio Carlomagno, citado no áudio como responsável pela cessão do camarote. Mara Casares e o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte também articulam candidaturas. Outros possíveis concorrentes são Olten Ayres de Abreu, Adilson Alves Martins, Vinicius Pinotti e Marcelo Pupo. As chapas devem ser definidas a partir de março.
Departamento Médico sob fogo cruzado
Paralelamente, o clube convive com críticas ao Departamento Médico. Divergências internas vieram à tona após a prescrição de Mounjaro, medicamento autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas em junho de 2025 para tratamento de obesidade. Dois atletas receberam indicação off-label antes desse prazo, e especialistas ouvidos pelo Estadão dizem não haver relação direta comprovada entre o fármaco e as lesões musculares que marcaram a temporada de 2025.
Falta de hierarquia clara e demissões de profissionais agravaram a crise no setor, que foi considerado o ponto frágil do ano passado.
Com o ambiente interno conturbado e a eleição no horizonte, o São Paulo terá de administrar investigações internas e externas enquanto tenta preservar a estabilidade esportiva.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Mounjaro só é indicado para pacientes com índice de massa corporal igual ou superior a 27 kg/m² e comorbidades associadas, condição pouco comum em atletas profissionais.
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Com informações de Futebol Interior
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