São Paulo (SP) – 16 de junho de 2024. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu uma notícia-fato que aponta suposta comercialização irregular de ingressos no camarote 3A do Estádio do MorumBis, setor conhecido como “Sala Presidencial”. O espaço não é oferecido ao público pelo clube, mas teria sido cedido a uma intermediária que revendeu entradas para terceiros.
O pedido de apuração foi encaminhado pelo grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo. A Procuradoria agora verifica se há elementos suficientes para instaurar inquérito. Até o momento, o São Paulo Futebol Clube afirma não ter sido notificado oficialmente.
Áudio expõe pressão sobre intermediária
Um arquivo sonoro divulgado pelo portal “ge” registra conversa entre Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então diretores do clube, com Rita de Cássia Adriana Prado, responsável pela venda dos ingressos. Na gravação, os dirigentes pedem que Rita retire uma ação judicial contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos, para evitar que o caso se torne público.
Rita moveu processo alegando ter repassado 60 ingressos de um show da cantora colombiana Shakira pelo valor acertado de R$ 132 mil, mas recebido apenas R$ 100 mil. Carolina nega a acusação e diz ter cumprido o acordo.
Pontos citados pelo MP-SP
Além da denúncia sobre o camarote, o Ministério Público já questionou o clube sobre:
- venda de atletas da base abaixo do valor de mercado;
- déficit de R$ 287 milhões previsto para 2024;
- possíveis irregularidades no Fundo de Cotia, parceria com a Galápagos;
- eventual conflito de interesses envolvendo o filho do presidente Júlio Casares.
Posicionamentos
Mara Casares sustenta que as gravações foram retiradas de contexto e nega lucro pessoal. Schwartzmann declara não ter participado de negociação de ingressos e diz ter atuado apenas para proteger o clube de repercussão negativa. O presidente Júlio Casares abriu duas sindicâncias — uma interna, conduzida pelos departamentos Jurídico e de Compliance, e outra externa, a cargo de escritórios independentes — e promete “rigor” caso haja comprovação de conduta inadequada.
O superintendente Márcio Carlomagno, citado no áudio, afirma ter tido o nome usado sem autorização.
Segundo informações institucionais do Ministério Público de São Paulo, o órgão analisa preliminarmente todas as notícias de fato recebidas antes de decidir pela abertura de investigação formal.
A Frente Democrática pede que o caso não seja arquivado, como ocorreu em denúncia anterior, e argumenta que busca assegurar “apuração independente, técnica e transparente” para resguardar o patrimônio do clube.
O São Paulo reitera que não há esquema de venda ilegal de ingressos e aguarda a conclusão das sindicâncias internas e externas.
Esta matéria acompanha o andamento do processo e será atualizada em caso de novos desdobramentos.
Com informações de Futebol Interior
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