Caracas – O governo da Venezuela classificou como “grave ato de pirataria internacional” a apreensão de um segundo petroleiro por forças dos Estados Unidos na madrugada de sábado, 20 de dezembro de 2025. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “esses atos não ficarão impunes” e anunciou que levará o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a outras instâncias multilaterais.
A embarcação, cujo nome não foi divulgado, foi interceptada em operação tornada pública pela secretária de Segurança Interna norte-americana, Kristi Noem, que divulgou vídeo da ação na rede social X. Segundo Noem, Washington seguirá combatendo o “tráfico ilícito de petróleo sujeito a sanções, utilizado para financiar o narcoterrorismo na região”.
Escalada de tensão
O primeiro navio havia sido retido em 10 de dezembro. Uma semana depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou bloqueio total a petroleiros venezuelanos, declarando que o país sul-americano estava “completamente cercado”. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reagiu chamando a medida de “interferência brutal”. Desde então, as exportações de petróleo de Caracas despencaram.
Reservas e sanções
A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em 303 bilhões de barris (17% do total global), segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA). Grande parte desse volume é de óleo extra-pesado, que exige tecnologia e investimentos elevados. As sanções impostas por Washington desde 2019 dificultam acesso a capital e insumos, agravando o subaproveitamento do potencial energético do país.
Relatório da Bloomberg desta semana aponta que a estatal PDVSA enfrenta falta de capacidade para armazenar a produção devido à proibição de entrada e saída de navios em portos venezuelanos. Para driblar as restrições, comerciantes recorrem a uma “froota fantasma” de petroleiros que navegam com transponders desligados ou sob bandeiras de conveniência.
Mercado externo
A China permanece como principal destino do petróleo venezuelano, representando cerca de 4% das importações do gigante asiático. Analistas consultados pela Reuters estimam que os embarques deste mês possam atingir média de 600 mil barris diários. Caso o embargo se prolongue, a retirada de quase 1 milhão de barris por dia do mercado internacional tende a pressionar os preços do petróleo.
Operações militares
A ofensiva contra petroleiros ocorre paralelamente a uma série de ataques autorizados por Trump a embarcações no Caribe e no Pacífico, acusadas de contrabandear fentanil e outras drogas. De acordo com registros oficiais, 28 ações desde setembro resultaram em 104 mortes. Em entrevista à revista Vanity Fair, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, afirmou que o presidente pretende “continuar explodindo barcos até Maduro gritar ‘tio’”.
Sem indicar data, Caracas informou que pretende articular apoio de “governos amigos” para contestar as apreensões e reforçar a denúncia de violação do direito internacional marítimo.
Com informações de G1
Estudo da ONU sobre segurança no transporte marítimo destaca o aumento de incidentes envolvendo cargas de alto valor, contexto que ajuda a entender a preocupação de Caracas com a integridade de seus navios.
Para saber como outras nações da América Latina têm reagido a pressões econômicas dos Estados Unidos, leia nosso conteúdo na seção Internacional.
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