Caribe, 21 de dezembro de 2025 — A Marinha dos Estados Unidos apreendeu no sábado (20) o petroleiro VLCC Centuries, que transportava aproximadamente 1,8 milhão de barris de petróleo cru venezuelano tipo Merey com destino à China. A ação foi realizada em águas internacionais a oeste da ilha de Barbados, informou a agência Reuters.
Esta é a segunda embarcação retida pelos EUA desde 10 de dezembro, quando começou a campanha de pressão do governo Donald Trump contra o presidente Nicolás Maduro. O Centuries navegava sob bandeira do Panamá e usava o nome falso “Crag”, prática comum na chamada “frota fantasma” venezuelana que busca driblar sanções internacionais por meio do uso de registros e identidades navais fictícias.
Bloqueio total anunciado
Em 16 de dezembro, Trump anunciou um bloqueio total a petroleiros ligados à Venezuela, afirmando que o país sul-americano estaria “completamente cercado” militarmente. Analistas interpretaram o pronunciamento como um endurecimento das ameaças norte-americanas.
O governo Maduro reagiu classificando o bloqueio como “ameaça grotesca” e autorizou escolta naval para navios que zarpam de portos venezuelanos. Fontes da estatal PDVSA disseram à Reuters que, mesmo após o anúncio, dois petroleiros com cerca de 1,9 milhão de barris cada deixaram o país rumo à China na quinta-feira (18).
Comprador chinês e rota clandestina
Documentos internos da PDVSA indicam que a carga do Centuries foi comercializada pela Satau Tijana Oil Trading, uma das intermediárias que abastecem refinarias independentes chinesas. A China continua sendo o principal destino do petróleo venezuelano, respondendo por cerca de 4 % das importações do gigante asiático.
De acordo com a organização Transparência Venezuela, 40 % dos navios que embarcam petróleo cru do país operam em situação irregular, adotando táticas como desligar transponders, trocar bandeiras ou alterar nomes.
Tensão regional
Em vídeo divulgado pela secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, a abordagem ao Centuries foi apresentada como parte dos esforços para combater “movimentações ilícitas de petróleo” que financiariam “narcoterrorismo” na região. Caracas, por sua vez, chamou a operação de “grave ato de pirataria internacional” e afirmou que não ficará sem resposta. O Irã ofereceu “cooperação em todos os âmbitos” ao governo Maduro.
O Conselho de Segurança da ONU agendou reunião para terça-feira (23) a fim de discutir a crescente tensão militar entre Washington e Caracas.
Nações sob sanções econômicas, como Venezuela, Irã e Rússia, recorrem à frota fantasma para escoar petróleo pesado, cuja extração exige investimentos elevados. A Venezuela possui as maiores reservas provadas do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, conforme dados da Energy Information Administration (EIA).
Acompanhe outras reportagens sobre o aumento da pressão internacional na seção Internacional do Se Por Dentro.
Resumo: Os Estados Unidos detiveram o VLCC Centuries, segundo petroleiro venezuelano capturado neste mês, reforçando o bloqueio naval contra Caracas. O navio levava 1,8 milhão de barris rumo à China sob identidade falsa. Maduro promete reagir e leva a disputa para o Conselho de Segurança da ONU.
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Com informações de G1
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