Brasília – A cotação do dólar encerrou 2025 com queda de 10,29% frente ao real, acumulada até o pregão de 29 de dezembro. É o maior recuo anual desde 2016, quando a moeda norte-americana havia cedido 17,8%.
Pressão internacional enfraquece a divisa dos EUA
Analistas atribuem a desvalorização global do dólar às decisões econômicas do presidente norte-americano, Donald Trump. Iniciativas como tarifas de importação anunciadas em abril elevaram a incerteza sobre o rumo da maior economia do mundo e estimularam investidores a reduzir posições na moeda.
A volatilidade levou empresas e gestores a ampliar operações de hedge cambial, aumentando a oferta de dólares no mercado e acelerando a queda da cotação, explica Leonel Mattos, analista da StoneX.
Atuação do Fed favorece busca por mercados emergentes
Em meio a expectativas de relaxamento monetário, o Federal Reserve cortou os juros três vezes em 2025, levando a taxa de 4,25%-4,50% ao ano para 3,50%-3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. Com rendimentos mais baixos dos títulos do Tesouro norte-americano, investidores migraram para aplicações de maior retorno em países emergentes, impulsionando moedas como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano.
Fatores domésticos sustentam valorização do real
No Brasil, a taxa Selic permanece no maior patamar em duas décadas, fator que atrai capital externo. Além disso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manteve discurso firme no combate à inflação, reforçando a confiança do mercado.
A preocupação com as contas públicas também diminuiu em relação a 2024. O Prisma Fiscal, divulgado em novembro pela Secretaria de Política Econômica, apontou melhora na arrecadação e revisão para baixo das despesas projetadas, contribuindo para a percepção de menor risco.
Perspectivas para 2026
Especialistas alertam que o desempenho do dólar no próximo ano dependerá da continuidade dos cortes de juros nos EUA, da sucessão no comando do Fed em maio de 2026 e do calendário eleitoral brasileiro. A trajetória fiscal deverá voltar ao centro do debate a partir do segundo trimestre, influenciando a confiança dos investidores.
Apesar das incertezas, Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Banco Travelex, avalia que o patamar elevado dos juros reais no Brasil tende a seguir amparando o real enquanto não houver deterioração relevante das expectativas fiscais.
Para Bruno Shahini, da Nomad, “o mercado monitorará a força do mercado de trabalho dos EUA e a resiliência da inflação; são variáveis que pautarão o ritmo de cortes do Fed e, consequentemente, o fluxo de capitais para emergentes”.
Com o cenário externo ainda volátil e a agenda doméstica carregada, economistas recomendam cautela na projeção do câmbio para 2026, mas reconhecem que a combinação de fatores que derrubou o dólar em 2025 permanece, por ora, no horizonte.
Com informações de g1
Segundo dados do Federal Reserve, a autoridade monetária norte-americana mantém ritmo de monitoramento constante da inflação para definir os próximos passos da política de juros.
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