Caracas – A captura do presidente Nicolás Maduro no sábado (3) e a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de abrir o setor petrolífero venezuelano a companhias norte-americanas recolocaram a maior reserva de petróleo do planeta no centro de uma disputa geopolítica e econômica.
Reservas recordes
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas de petróleo do mundo, total estimado em 303 bilhões de barris, de acordo com a Energy Information Administration (EIA). O volume supera o da Arábia Saudita (267 bilhões) e do Irã (209 bilhões), mas grande parte é petróleo extrapesado, o que exige tecnologia avançada e investimentos elevados para extração.
Produção em declínio
Apesar do potencial, a produção venezuelana despencou de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para apenas 665 mil barris diários em 2021, segundo a Statistical Review of World Energy. Em 2025, houve leve recuperação para cerca de 1 milhão de barris, ainda menos de 1% do total global.
Dependência histórica
O petróleo molda a economia do país desde as grandes descobertas das décadas de 1920 e 1930. A nacionalização do setor em 1976 e a criação da PDVSA transformaram o governo no principal gestor da renda petrolífera. Entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas tiveram origem no petróleo.
Sanções e PDVSA
Sanções internacionais, principalmente dos EUA, corroeram investimentos e dificultaram acesso a financiamentos. A PDVSA, que já foi responsável por grande parte da entrada de dólares no país, enfrenta sucessivos cortes orçamentários. Em 2002, uma greve de dois meses resultou na demissão de cerca de 20 mil funcionários, aprofundando a crise operacional.
Relação com os Estados Unidos
Mesmo com as restrições, a Chevron permanece na Venezuela mediante licença especial. Antes das sanções de 2019, os EUA eram os maiores compradores do petróleo venezuelano. O bloqueio levou Caracas a direcionar embarques para a China em acordos de petróleo por empréstimos, o que aumentou tensões na região.
Impacto econômico
Em 2024, a PDVSA arrecadou US$ 17,5 bilhões com exportações e destinou US$ 10,41 bilhões ao Tesouro em impostos e royalties. O setor de hidrocarbonetos impulsionou um crescimento de 7,71% do PIB no primeiro semestre de 2025 e de 8,71% no terceiro trimestre do mesmo ano, quando a atividade petrolífera avançou 16,12%.
Perdas estimadas
Estudo do Instituto Tricontinental, com base em dados da Global South Insights, calcula que as sanções lideradas pelos EUA provocaram perdas de aproximadamente US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas entre 2017 e 2024 – valor superior ao PIB venezuelano, estimado em US$ 108,5 bilhões.
Com reservas abundantes, mas infraestrutura debilitada, a Venezuela segue presa a um setor que, ao mesmo tempo em que sustenta a economia, expõe o país a sanções e volatilidade no mercado internacional.
Com informações de G1
Dados oficiais sobre reservas podem ser conferidos na página da Energy Information Administration (EIA), órgão de estatísticas energéticas dos EUA.
Para acompanhar outros desdobramentos da crise venezuelana, visite a editoria Internacional do Se Por Dentro.
Em resumo, a indústria petrolífera da Venezuela combina enorme potencial de reservas com gargalos estruturais e pressão externa. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe a reportagem para manter mais leitores informados.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








