Pequim – A China encerrou 2025 com um superávit comercial histórico de US$ 1,189 trilhão, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pela Administração Geral de Alfândegas do país.
Exportações ganham força fora dos Estados Unidos
O resultado foi impulsionado pela estratégia de empresas chinesas de ampliar vendas para mercados do Sudeste Asiático, África e América Latina, reduzindo a exposição às tarifas impostas pelos Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em 2024.
As exportações subiram 6,6% em dezembro na comparação anual, superando os 5,9% de crescimento registrados em novembro. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta de 3,0%. Já as importações avançaram 5,7% no mês, acima da previsão de 0,9%.
Desempenho por destino
• Exportações para os EUA: queda de 20% em 2025
• Importações dos EUA: recuo de 14,6%
• Exportações para a África: alta de 25,8%
• Exportações para o bloco ASEAN: alta de 13,4%
• Exportações para a União Europeia: alta de 8,4%
O vice-ministro da administração aduaneira, Wang Jun, afirmou que a diversificação de parceiros “fortaleceu a capacidade da China de enfrentar riscos”.
Capacidade ociosa e tensões comerciais
Embora destaque a “extraordinária competitividade” da indústria chinesa, o economista-chefe do HSBC para a Ásia, Fred Neumann, alertou para a combinação de ganhos de produtividade com demanda interna fraca, que mantém capacidade ociosa elevada.
Para 2026, o governo avalia formas de conter preocupações de parceiros sobre práticas comerciais e excesso de oferta. O economista-chefe da Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang, acredita que o bom desempenho externo ajudará a compensar o consumo doméstico frágil, permitindo a manutenção da política macroeconômica “ao menos no primeiro trimestre”.
Commodities e insumos estratégicos
As exportações de terras raras atingiram o maior nível desde 2014, mesmo após restrições impostas em abril a elementos de peso médio e pesado. No setor agrícola, a China importou volume recorde de soja, principalmente da América do Sul, em meio a atritos comerciais com Washington.
Próximos desafios
Analistas apontam que a criação de unidades de produção no exterior garante acesso a tarifas mais baixas em mercados como Estados Unidos e União Europeia. Ainda assim, permanece o risco de novas barreiras, como a tarifa de 25% anunciada por Trump para países que comercializam com o Irã.
Relatório recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) destaca que o crescimento da participação chinesa nas exportações globais pode ampliar disputas tarifárias em 2026.
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Em resumo, o recorde de superávit reforça a força exportadora da segunda maior economia do mundo, mas também mantém acesas as tensões comerciais. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba as principais atualizações diretamente no seu dispositivo.
Com informações de G1
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