A Universidade Federal de Sergipe (UFS) recebe, na próxima quarta-feira (11), às 18h, um ato solene em memória aos 50 anos da Operação Cajueiro, considerada uma das ações de repressão política mais emblemáticas ocorridas em Sergipe durante a ditadura militar.
O encontro, gratuito e aberto ao público, ocorrerá no Auditório da Reitoria, no Campus São Cristóvão. A organização é do Centro Acadêmico Sílvio Romero (CASR) em parceria com a Comissão Estadual da Verdade e a Liga de Direitos Humanos.
Presenças confirmadas
A programação contará com juristas, representantes de movimentos sociais, pesquisadores, além de sobreviventes e familiares das vítimas da operação militar deflagrada em 1976. O objetivo é criar um espaço de escuta, memória e reparação, promovendo diálogo intergeracional sobre as violações de direitos humanos cometidas no período autoritário.
Reflexões acadêmicas
Para a professora do Departamento de Direito da UFS e atual corregedora da instituição, Andrea Depieri, a Operação Cajueiro não deve ser vista como um fato isolado, mas como parte de mecanismos estruturados de repressão utilizados pelo regime militar. “Mesmo passados 50 anos, ainda é fundamental falar sobre esse episódio, porque ele é representativo da forma como se deu a repressão política durante a ditadura”, afirma.
Andrea destaca que, por meio dos processos judiciais decorrentes da operação, é possível observar práticas como a incomunicabilidade de presos, prevista na antiga Lei de Segurança Nacional. “Toda a forma de funcionamento da Operação Cajueiro nos ajuda a entender como o direito penal opera em uma ditadura”, acrescenta.
Papel do movimento estudantil
Segundo Teófilo Carvalho, dirigente do CASR e idealizador do evento, revisitar a Operação Cajueiro é uma responsabilidade ética e histórica. “Muitas das vítimas estudavam na Faculdade de Direito da UFS, o que faz com que o tema dialogue diretamente com a história do nosso curso e do próprio Centro Acadêmico”, ressalta.
O ato solene reafirma a importância da memória para o fortalecimento da democracia e convida a comunidade universitária e a sociedade sergipana a refletirem sobre o passado autoritário do país.

Para entender o contexto histórico mais amplo da repressão militar, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade traz dados detalhados sobre violações de direitos humanos no período.
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O evento reforça a necessidade de manter viva a lembrança das vítimas e de discutir as práticas autoritárias que marcaram a história do Brasil. Participe, compartilhe e ajude a preservar a memória.
Com informações de Jornal do Dia
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