Quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão, denunciados por suposta participação em um esquema de venda de sentenças e liberação rápida de alvarás, receberam juntos R$ 627 mil líquidos entre novembro e janeiro, mesmo estando afastados das funções desde outubro de 2024.
Os magistrados investigados na Operação 18 Minutos são Antonio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Marcelino Everton Chaves e Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra o grupo em julho do ano passado, e eles negam envolvimento no esquema.
Contracheques acima do teto
De acordo com os dados disponibilizados pelo Tribunal, o valor pago aos quatro magistrados superou o teto constitucional de R$ 46.366,19 (bruto). Em dezembro, Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga e Nelma Sarney receberam, em média, R$ 83 mil líquidos cada um. O maior contracheque foi o de Guerreiro Júnior, que alcançou R$ 87.137,82.
Marcelino Everton Chaves, que se aposentou voluntariamente em agosto de 2023, recebeu R$ 42.364,42 líquidos no mesmo mês. O Tribunal de Justiça do Maranhão foi procurado para comentar as remunerações, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
Impacto na folha
No último mês de 2025, a folha referente aos quatro desembargadores custou R$ 296.073,77 ao erário. Em novembro, o gasto total somou R$ 184.800,08; em janeiro, chegou a R$ 146.205,59, valor que não inclui o vencimento de Marcelino, ainda não informado pela Corte.
Pobreza no Estado contrasta com altos salários
Os pagamentos ocorrem no Estado que lidera o índice de extrema pobreza no país. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 8,4% dos maranhenses — cerca de 560 mil pessoas — vivem com menos de R$ 200 por mês, e 57,9% têm renda de até R$ 637 mensais. A renda média per capita no Maranhão foi de R$ 409 em 2023, ano em que o salário mínimo nacional era R$ 1.320.
Operação 18 Minutos
A Polícia Federal batizou a investigação de Operação 18 Minutos porque, em um dos processos, esse foi o intervalo entre o despacho de um magistrado e o saque do valor liberado. O Ministério Público Federal apura o possível desvio de R$ 50 milhões por meio de alvarás que teriam favorecido o advogado Francisco Xavier de Sousa Filho, ex-funcionário do Banco do Nordeste.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) apontaram movimentações atípicas e prejuízo ao banco, supostamente decorrentes de decisões judiciais suspeitas. Em 2024, por ordem do Superior Tribunal de Justiça, a PF cumpriu mandados de busca em gabinetes e residências dos desembargadores.
Além disso, o Conselho Nacional de Justiça aplicou a Nelma Sarney a pena de disponibilidade por dois anos, após concluir que ela agiu com “imprudência e parcialidade” ao beneficiar um ex-assessor em concurso de cartórios.
Fonte: Jovem Pan
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