O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu quase 20 chefes de Estado e de governo em Washington, nesta quinta-feira (19), para lançar o “Conselho de Paz”, organismo que nasce com o objetivo imediato de consolidar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas já mira atuar em outros conflitos internacionais.
Durante o encontro, Trump deve detalhar promessas de mais de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26,1 bilhões) destinados à reconstrução do território palestino, cenário de uma guerra de dois anos encerrada em outubro, após mediação de Washington, Catar e Egito. O plano, segundo autoridades americanas, entrou na segunda fase: o desarmamento do Hamas.
Força internacional e custo de adesão
A reunião também discute a criação de uma Força Internacional de Estabilização encarregada da segurança local. A Indonésia sinalizou disposição para enviar até 8 mil militares se a tropa for confirmada.
Para tornar-se membro permanente do “Conselho de Paz”, cada país deverá contribuir com US$ 1 bilhão. Pelas regras definidas pela Casa Branca, Trump terá direito de veto sobre decisões do colegiado e poderá permanecer na liderança mesmo após o fim de seu mandato.
Participação e ausências
Entre os presentes estão o presidente argentino Javier Milei, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o presidente indonésio Prabowo Subianto. A Europa, tradicional aliada dos EUA, não enviou dirigentes de primeiro escalão, e o Japão optou por representar-se por um enviado especial para assuntos de Gaza.
Convidado por Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declinou do convite, alegando que o conselho deveria concentrar-se exclusivamente na questão de Gaza e prever um “assento para a Palestina”.
Tensão ainda presente
Apesar da trégua, o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contabiliza ao menos 601 mortes provocadas por forças israelenses desde outubro. Israel, por sua vez, afirma que o Hamas matou um soldado no mesmo período. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que enviou o ministro das Relações Exteriores para representá-lo na reunião, defende a retirada das armas do grupo palestino. “A arma que causa mais dano chama-se AK-47”, declarou recentemente.
Internamente, um comitê tecnocrático liderado pelo engenheiro e ex-funcionário Ali Shaath foi criado no mês passado para administrar o dia a dia em Gaza. Já o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou à AFP que o novo conselho deveria pressionar Israel a encerrar supostas violações do cessar-fogo e levantar o bloqueio ao território.
Instituto rebatizado
A cerimônia ocorre no Instituto da Paz dos Estados Unidos, instituição que passou a levar o nome de Trump após decisão do governo. Assessores da Casa Branca reconhecem que o organismo pode vir a intervir em outros focos de tensão global, reforçando a intenção de rivalizar com a Organização das Nações Unidas, criticada pelo presidente norte-americano.
Fonte: Jovem Pan
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








