Entrou em vigor nesta terça-feira (24) a alíquota única de 15% determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre todas as importações que chegam ao país. O novo percentual sucede a decisão da Suprema Corte norte-americana, que na sexta-feira derrubou o tarifaço aplicado especificamente ao Brasil desde 2025. Analistas e representantes do setor produtivo avaliam que a combinação dos dois atos tende a favorecer as exportações brasileiras, apesar de manter a incerteza no comércio internacional.
Indústria vê queda de custos, mas aponta instabilidade
Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o aumento geral das tarifas norte-americanas amplia a instabilidade regulatória, dificultando planejamento, contratos e investimentos. Ainda assim, a entidade ressalta que, por atingir todos os parceiros comerciais dos EUA, a medida preserva a competitividade relativa do Brasil. “Mudanças sucessivas nas regras geram insegurança, porém a tarifa global mantém condições isonômicas de concorrência”, afirmou o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.
Corte dos EUA reduziu sobretaxa exclusiva ao Brasil
Antes do anúncio de Trump, a Suprema Corte já havia anulado a sobretaxa de 40% aplicada a determinados produtos brasileiros. O ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ, Welber Barral, avalia que a decisão “iguala o Brasil aos demais países” e amplia a margem de competitividade. Na mesma linha, o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, calcula que mercadorias responsáveis por cerca de US$ 13 bilhões em vendas anuais para o mercado norte-americano passam a enfrentar um custo significativamente menor, mas pondera que o ambiente pode mudar, já que Washington promete novas investigações comerciais.
Brasil lidera queda média de tarifas, segundo estudo
Levantamento da Global Trade Alert indica que Brasil e China são os maiores beneficiados pelas recentes mudanças. A organização aponta recuo de 13,6 pontos percentuais nas tarifas médias aplicadas aos produtos brasileiros. Já parceiros tradicionais dos EUA, como Reino Unido, União Europeia e Japão, tendem a pagar mais com a nova estrutura tributária, que acrescenta até 2,1 pontos percentuais em alguns casos.
Em Sergipe, entidades empresariais acompanham os desdobramentos para avaliar possíveis oportunidades de expansão das vendas externas, especialmente em cadeias já integradas ao mercado norte-americano.
Fonte: g1
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