A escalada verbal entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo do Irã elevou a preocupação de economistas e analistas financeiros sobre os possíveis efeitos do conflito nos mercados globais. Consultados pelo g1, especialistas apontam risco de valorização do dólar, avanço dos preços do petróleo e recuo nas bolsas de valores caso se confirme uma ofensiva militar norte-americana.
Dólar tende a ser refúgio em cenário de incerteza
Eventos geopolíticos costumam impulsionar a busca por ativos considerados mais seguros, movimento conhecido no mercado como “flight to quality”. Para o estrategista-chefe da Avenue, William Alves, a moeda norte-americana ganha força quando investidores trocam ações ou aplicações mais arriscadas por dólares. O risco adicional de um bloqueio no Estreito de Ormuz — rota por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — reforça essa tendência, segundo o analista.
Petróleo pode chegar a US$ 80 o barril
Um eventual ataque a instalações iranianas ou a interrupção da navegação no Estreito de Ormuz pode reduzir a oferta global de petróleo. O analista da Genial Investimentos, Vitor Souza, explica que danos à infraestrutura de produção iraniana seriam suficientes para pressionar os preços. Na avaliação de Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o barril poderia avançar da casa de US$ 70 para perto de US$ 80 se houver bloqueio na região, com impactos potencialmente inflacionários e reflexos sobre taxas de juros.
Bolsas sentem o estresse
Com a migração para ativos considerados defensivos, as bolsas de valores tendem a registrar perdas. Para William Alves, ações e investimentos em países emergentes estão entre os primeiros a sofrer em um cenário de aumento do petróleo, dólar mais caro e juros em alta. O estrategista observa que a magnitude da queda dependerá da duração e da intensidade de um possível confronto.
Apesar das projeções de curto prazo, os especialistas ouvidos pelo g1 não veem uma guerra prolongada como o cenário mais provável. Malek Zein, da Suno Research, lembra que o mercado já convive com sanções ao Irã e com oferta global abundante de petróleo, fatores que podem limitar o impacto final sobre preços e atividade econômica.
Contexto regional: analistas sergipanos ouvidos pelo Se Por Dentro observam que oscilações no dólar e no petróleo costumam refletir rapidamente em setores estratégicos do estado, como transporte de carga e distribuição de combustíveis, mas destacam que ainda é cedo para medir efeitos diretos sobre a economia local.
Fonte: g1
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