O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta segunda-feira (2) o novo pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que ele cumprisse prisão domiciliar humanitária. Com a decisão, o capitão da reserva segue na Sala de Estado-Maior instalada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), espaço conhecido como “Papudinha”.
Ao indeferir o pleito, Moraes levou em conta relatórios enviados pela administração penitenciária e um laudo da Polícia Federal (PF) que descrevem os primeiros 39 dias de Bolsonaro no local, entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro. Nesse período, o ex-presidente recebeu 144 atendimentos médicos, 13 sessões de fisioterapia, 33 práticas de atividade física e quatro acompanhamentos religiosos semanais. Também foram registradas 36 visitas de terceiros — entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas — além do acesso livre da esposa, Michelle, dos filhos e da enteada.
Para Moraes, o volume de encontros e compromissos confirma a avaliação da PF de que Bolsonaro apresenta “boa condição de saúde física e mental” e mantém intensa atividade política mesmo sob custódia, não havendo motivos para a concessão da prisão domiciliar pleiteada.
Rotina diária segundo a Polícia Federal
O laudo médico, tornado público em 6 de fevereiro, detalha que Bolsonaro costuma acordar por volta das 5h, levantar às 8h, tomar café, realizar higiene pessoal e dedicar a manhã à leitura. Depois do almoço, repousa cerca de 20 minutos e, à tarde, assiste a programas esportivos ou conversa com o policial de plantão. Antes da noite, faz caminhada de aproximadamente 1 km sob escolta e vai dormir por volta das 22h.
À equipe de saúde, o ex-presidente afirmou que só busca atendimento “quando julga estritamente necessário” e relatou melhora do sono após o uso de aparelho CPAP para tratar apneia. Também negou dificuldades para ingerir medicamentos ou alimentos.
Quadro clínico e recomendações
A junta da PF descartou diagnósticos graves sugeridos pela defesa, como pneumonia bacteriana, anemia e depressão. Entretanto, confirmou a existência de pressão alta, obesidade, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, lesões de pele causadas pelo sol, artérias entupidas e cicatrizes internas na região abdominal.
Os especialistas recomendaram controle das comorbidades, adaptações na cela para evitar acidentes, acompanhamento multiprofissional e cuidados com exposição solar, como uso de filtro fator 30, roupas com proteção ultravioleta e restrição de sol das 10h às 16h.
Do prédio da PF ao batalhão da PMDF
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes ligados a uma trama golpista, Bolsonaro foi detido em 22 de novembro e, inicialmente, ficou numa Sala de Estado-Maior na Superintendência da PF em Brasília. Em 15 de janeiro, após queda que resultou em ferimentos e reclamações da família, Moraes determinou a transferência para a “Papudinha”. O novo espaço tem 64,8 m², posto de saúde próprio, visitas estendidas e oferta de cinco refeições diárias.
Fonte: Jovem Pan
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