O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após Washington sinalizar a intenção de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista oficial de organizações terroristas estrangeiras.
A medida, defendida pela administração Donald Trump e já rejeitada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, permitiria ampliar cooperação investigativa, bloquear ativos financeiros das facções e aplicar sanções econômicas. Para entrar em vigor, o Departamento de Estado precisa notificar o Congresso norte-americano e publicar a decisão no Federal Register.
Ligação ocorreu após encontro sobre segurança
O telefonema aconteceu no fim de semana que sucedeu a reunião “Escudo das Américas”, realizada na Flórida, onde Trump discutiu ações contra o crime organizado com presidentes latino-americanos. Lula não participou do encontro. Durante a conversa, Vieira e Rubio trataram de cooperação judicial e de temas ligados ao crime organizado, no contexto da visita de Lula a Trump, adiada depois do início da guerra ao Irã.
No governo brasileiro, há receio de que o enquadramento de PCC e CV como terroristas possa abrir margem para eventuais operações militares norte-americanas na região. Além disso, o Executivo argumenta que o conceito de terrorismo previsto na legislação nacional envolve motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito, o que não se aplicaria às facções.
Diplomatas que acompanham o assunto apontam que o avanço da proposta nos níveis inferiores da burocracia americana atende a demandas de grupos bolsonaristas nos Estados Unidos e expõe divergências entre os dois governos em ano eleitoral. Por cautela, o Palácio do Planalto tem buscado conduzir as tratativas com discrição.
O debate sobre classificar PCC e CV como terroristas ganhou força no ano passado, com apoio declarado de parlamentares de direita e de oposição a Lula. O Itamaraty não comentou o teor da ligação, e o Departamento de Estado não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Em Sergipe, autoridades de segurança acompanham o desenrolar da proposta, já que decisões desse porte tendem a repercutir em políticas públicas de combate ao crime em todo o país.
Fonte: Jovem Pan
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