A disparada dos preços do petróleo desde o início da ofensiva norte-americana contra o Irã, em 28 de fevereiro, tornou-se um problema político imediato para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O barril chegou a US$ 120 no mercado internacional — maior patamar desde 2022 — e, mesmo após recuo, permanece em torno de US$ 100, patamar considerado elevado por analistas.
Preços nas bombas e humor do eleitor
Pesquisa Ipsos/Reuters divulgada em 9 de março indica que 67% dos norte-americanos esperam alta da gasolina no próximo ano por causa da guerra, e seis em cada dez acreditam que as ações militares devem se prolongar. Segundo a associação automobilística AAA, o valor médio do combustível subiu mais de 20% desde o início do conflito, alcançando o nível mais alto dos dois mandatos de Trump.
Para Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, o presidente tenta transmitir ao eleitorado a mensagem de que o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — será controlado em breve. “Ele monitora de perto porque o preço da energia funciona como termômetro imediato em ano eleitoral”, afirma.
Estimativas de economistas em Washington apontam que um avanço de 10% no preço do barril pode reduzir em 0,2 ponto percentual o crescimento do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, enquanto cada US$ 10 adicionais tendem a acrescentar 0,1 ponto à inflação. O impacto recai sobretudo sobre famílias de renda média e baixa, público decisivo nos chamados estados-pêndulo.
Congresso em disputa
As eleições de meio de mandato de novembro renovarão as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado. Hoje, os republicanos mantêm vantagem apertada — 220 a 213 na Câmara e 53 a 47 no Senado. Especialistas avaliam que o encarecimento da energia pode tornar a corrida ainda mais acirrada e comprometer a estratégia governista de destacar o desempenho econômico.
Carolina Moehlecke, da Fundação Getulio Vargas, lembra que Trump havia prometido evitar novos conflitos externos. Para ela, a quebra desse compromisso, aliada ao custo dos combustíveis, pode favorecer os democratas e dificultar a aprovação de projetos caso o partido conquiste a maioria legislativa.
Medidas de contenção e incertezas
Na tentativa de segurar os preços, o presidente flexibilizou temporariamente sanções ao petróleo russo, anunciou a compra de até 200 milhões de barris venezuelanos para refino interno e apoiou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de 32 países membros da Agência Internacional de Energia — a maior já autorizada pela entidade.
David Fyfe, economista-chefe da Argus, pondera que o efeito dessas reservas depende da duração das restrições à navegação no Estreito de Ormuz, alvo de bloqueios e ataques a petroleiros por parte do Irã. “Estoques estratégicos, por si sós, serão insuficientes se a rota permanecer fechada por longo período”, alerta.
Fonte: g1
Fonte: g1
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