BRASÍLIA (DF) – Em pleno Mês da Mulher, a ex-volante Formiga usa o cargo no Ministério do Esporte para expor a realidade incômoda: o futebol brasileiro conta com apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas, número que ela classifica como “sinal de alerta” para a modalidade.
- Em resumo: Formiga quer mais times de base e ambiente seguro para meninas e mulheres em todos os estados.
Base forte, país equilibrado
À frente da Diretoria de Políticas de Futebol Feminino, a recordista de sete Copas do Mundo defende que a estrutura vista em São Paulo seja replicada nacionalmente. Sem isso, diz ela, “vamos avançar pouco”. O Ministério do Esporte estima que a Copa de 2027 pode acelerar investimentos em categorias de base.
A meta inclui centros de treinamento regionais e calendário competitivo para sub-17 e sub-20, medidas que também miram reduzir a evasão escolar entre jovens atletas.
“Precisamos de segurança para atletas, treinadoras, árbitras e diretoras”, reforça Formiga.
Meninas driblam o machismo
Na prática, a meio-campista Isadora Jardim, 14, deixou o Distrito Federal para treinar no Corinthians. Entre aulas e treinos, encara comentários como “futebol não é para mulher”. Ela responde com gols e uma convocação para a seleção sub-15.
Isadora usa as redes para incentivar outras garotas: “Nunca desistam e continuem treinando”. Exemplos assim, segundo Formiga, mostram que talento existe, falta “oportunidade em todos os cantos do país”.
Quando a voz feminina narra o gol
Fora das quatro linhas, a narradora Luciana Zogaib lembra que, em 100 anos de rádio, homens dominaram as cabines. Integrante da TV Brasil e da Rádio Nacional, ela venceu prêmios de narração e vê cada transmissão como um passo para abrir mercado a novas locutoras.
“A presença feminina nas cabines força outros veículos a reconhecerem o nosso valor”, resume Luciana, apontando que mais vozes diversas atraem novas audiências.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil
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