BRASÍLIA – Com 4,4 mil páginas e a recomendação de impressionantes 216 indiciamentos, o relatório final da CPI Mista do INSS foi apresentado nesta sexta-feira (27) pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) e promete uma sessão de debates que pode atravessar a madrugada.
- Em resumo: Relator pede que políticos, ex-ministros, empresários e o filho do presidente Lula respondam por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
Rede de fraudes abria brecha bilionária na Previdência
Segundo o documento, as investigações parlamentares mapearam um esquema dividido em núcleos técnico, financeiro, empresarial e político que driblava o sistema de aposentadorias e pensões para desviar bilhões.
A figura central seria Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como lobista que transitava entre criminosos, servidores e autoridades do Ministério da Previdência Social, INSS e Dataprev.
“O grupo utilizava acordos de cooperação infestados de irregularidades para inflar margem consignável e liberar benefícios fraudulentos”, resume Alfredo Gaspar.
Quem está na mira dos 216 pedidos de indiciamento
Além de Antunes, o relatório cita o empresário Maurício Camisotti, suposto sócio oculto de várias companhias beneficiadas, e o ex-banco Master, de Daniel Vorcaro, investigado por gerir créditos consignados de forma fraudulenta.
O relator pede ainda a responsabilização de Fábio Luís Lula da Silva e de sua amiga Roberta Luschinger, acusados de interceder em favor do lobista; ambos negam envolvimento. Entre os políticos listados estão a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e o ex-ministro Carlos Lupi, hoje presidente do PDT, além do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Os crimes elencados incluem organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e, no caso de Vorcaro, gestão fraudulenta e crime contra a economia popular.
Votação apertada e madrugada em branco?
Depois da leitura, o texto entrou imediatamente em discussão. Gaspar admite ajustes pontuais, mas resiste a retirar ou acrescentar nomes sem “convicção de todos”. A votação será nominal e aberta; se não ocorrer ainda nesta sexta, ficará para sábado (28), último dia de funcionamento da CPI.
Um relatório alternativo, elaborado pela base aliada, deve tentar incluir autoridades do governo anterior, elevando a disputa política em plenário.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil
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