O Ministério da Saúde pausou a aplicação da vacina do Butantan contra dengue. Foram registradas duas mortes e três internações após o uso do imunizante.
O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com a imunização desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas mais severas, dos quais três pessoas precisaram ser internadas e duas faleceram.
Durante uma coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que, embora não seja possível afirmar que os eventos adversos foram causados pela vacina, eles representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas. “Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazendo uma espécie de estudo de caso-controle”, afirmou Padilha.
O ministro também ressaltou a confiança do Ministério da Saúde na capacidade do Instituto Butantan e a importância da vacinação no combate a doenças no país. Vale destacar que a suspensão se aplica apenas à vacina do Butantan, enquanto o imunizante Qdenga, fabricado pelo laboratório Takeda, segue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Até o dia 30 de maio, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas em todo o Brasil. A vacina foi incorporada ao SUS em janeiro de 2026, com o objetivo de avaliar seu impacto na dinâmica populacional da dengue, sendo administrada em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). O público-alvo compreende adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, conforme a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, uma ação de vacinação também ocorreu em Araguaína (TO).
Em fevereiro, o SUS começou a vacinar profissionais de saúde da atenção primária, com a expectativa de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores. O Ministério da Saúde enfatizou que a decisão de suspender a estratégia de vacinação não invalida a eficácia do imunizante; as pessoas que já foram vacinadas ainda têm a proteção contra a dengue.
A recomendação do sistema de farmacovigilância é que mais estudos sejam realizados para identificar possíveis fatores de risco associados às reações adversas. Serão analisados dados como histórico clínico, doenças preexistentes e possíveis desvios de qualidade na vacina.
A vigilância em saúde é uma prática contínua do PNI, e os casos graves estão sendo monitorados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que orientou a suspensão.
Dos mais de 500 mil vacinados, 3.703 pessoas relataram sintomas semelhantes aos da dengue, representando 0,7% do total. Dentre elas, 42 apresentaram sintomas de alarme, que incluem dor abdominal, vômito persistente e sangramento, o que corresponde a 0,008% dos vacinados. Esses eventos são considerados raros e inesperados, uma vez que não foram observados durante os testes clínicos da vacina.
O ministro Padilha informou que a população que recebeu a vacina do Butantan nos últimos 21 dias terá acompanhamento especial para monitorar qualquer reação adversa. O Ministério da Saúde orienta que, caso ocorram sintomas como febre intensa, dor abdominal, vômitos persistentes ou sinais de desidratação, a população deve procurar imediatamente uma unidade de saúde.

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