Um estudante da UFS conquistou algo inédito: levar um filme de Sergipe ao maior festival de cinema do mundo. O curta 'Óleo' chega a Cannes em 2026.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) participou da 79ª edição do Festival de Cinema de Cannes, que ocorreu em maio de 2026. O curta-metragem “Óleo”, dirigido por Ariel Barros, egresso do curso de Cinema e Audiovisual da instituição, foi escolhido para integrar a Short Film Corner | Rendez-vous Industry, uma mostra não competitiva do festival. Esta é a primeira vez que um projeto produzido em Sergipe chega a Cannes, marcando um feito inédito para a região.
A Short Film Corner é uma parte oficial da programação do Festival de Cannes, que visa promover a circulação, o mercado e o networking entre curtas-metragens de diversas nacionalidades. A participação nesse programa costuma abrir portas para a distribuição internacional, além de facilitar contatos com produtores e a presença em outros festivais ao redor do mundo.
Com duração de 15 minutos, o curta-metragem “Óleo” narra a história de uma mãe que leva seu filho pequeno à praia, com o intuito de reconstruir o vínculo entre eles. Entretanto, este momento íntimo é transformado por uma presença misteriosa que surge do mar, levando os personagens a uma jornada repleta de medo e mistério.
Desenvolvido dentro da UFS, o curta foi concebido como um filme-tese do projeto de conclusão de curso orientado pelo professor Diogo Cavalcanti Velasco. Segundo ele, conquistas como essa são fundamentais para fortalecer a autoestima dos estudantes e demonstrar que eles têm a capacidade de alcançar espaços de destaque tanto nacional quanto internacional.
“Ter um filme em Cannes representa um reconhecimento muito significativo para o curso e para a universidade. A única representante de Sergipe entre produções majoritariamente do eixo Sudeste, esse reconhecimento é crucial para consolidar um curso que estimula e materializa a criatividade dos alunos”, destacou o professor.
Diogo também ressalta que, apesar das dificuldades enfrentadas na produção, a dedicação dos alunos permitiu a realização de um projeto tão significativo. “Os recursos eram limitados e a falta de equipamentos exigiu que buscássemos parcerias. Mesmo assim, conseguimos realizar um filme construído praticamente por alunos”, afirmou.
O diretor Ariel Barros comentou que a ideia para o filme surgiu em resposta aos vazamentos de petróleo que afetaram o litoral nordestino. “Após vivenciar o ocorrido nas praias de Aracaju, decidi transformar isso em um filme que provocasse uma reflexão sobre nossa relação com a natureza e os impactos de nossas ações”, explicou.
Ariel enfatizou que ver conquistas como essa é um reflexo do ambiente propício que a UFS oferece, onde a vontade de aprender e os objetivos dos alunos são valorizados. “Acredito que sempre houve apoio para superar as dificuldades. A UFS me formou como profissional e como pessoa”, concluiu.
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