Muitas mulheres convivem com dor, inchaço e acúmulo de gordura nas pernas sem saber a causa real. O Ipesaúde alerta: pode ser lipedema, doença crônica que exige diagnóstico especializado.
O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) destaca a relevância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para o lipedema, uma condição que frequentemente é confundida com obesidade ou sobrepeso.
O lipedema é uma doença crônica que afeta, principalmente, mulheres e se manifesta com sintomas como dor nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e acúmulo desproporcional de gordura em áreas como quadris e pernas. O médico angiologista do Ipesaúde, Igor Pereira, explica que a condição é uma enfermidade inflamatória e sistêmica, que resulta em um acúmulo de gordura em determinadas partes do corpo, muitas vezes acompanhado de dor.
“Uma das principais dificuldades é diferenciar o lipedema da obesidade. Muitas pacientes recebem um diagnóstico incorreto, sendo tratadas como se tivessem obesidade quando, na verdade, possuem lipedema”, destaca Igor. Ele ainda acrescenta que essa condição foi reconhecida recentemente, o que contribuiu para anos de subdiagnóstico.
“Muitas mulheres apresentavam os sintomas e não sabiam que era lipedema, pois era visto apenas como gordura. Agora sabemos que é uma gordura inflamada, e esse é o lipedema”, afirma o médico.
Fatores como genética, hábitos de vida e alimentação podem impactar a evolução do lipedema. O tratamento inclui controle da inflamação, mudanças na dieta, prática de atividades físicas e acompanhamento multidisciplinar.
A experiência da beneficiária do Ipesaúde, Stephane Lisley Fonseca, de 32 anos, ilustra a importância do diagnóstico correto. Ela relata que começou a notar mudanças em seu corpo há dois anos, mas demorou a associar os sintomas ao lipedema. “Acreditava que o desconforto era apenas por estar acima do peso. Comecei a pesquisar e encontrei informações sobre lipedema”, revela.
Stephane percebeu sinais como marcas nas pernas, inchaços e dores frequentes. “Quando tirava a meia, via as marcas e os pés inchados. Foi quando comecei a desconfiar”, conta. Após a avaliação médica, recebeu o diagnóstico e iniciou o tratamento, que inclui mudanças nos hábitos alimentares.
“O tratamento exige alterações na alimentação, e isso faz diferença. Os custos com alimentação, atividade física e medicação são altos, mas o suporte profissional é essencial”, ressalta Stephane.
“O que eu digo para todas que têm lipedema é: procurem se cuidar. No início, eu chorei, porque não queria aceitar. Não é fácil, mas não desistam”, conclui.
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