Fumaça de fogueira, brasa e fogos colocam a visão em risco nas festas juninas. Oftalmologista alerta para cuidados simples que fazem toda a diferença.
Com a chegada do ciclo junino em Sergipe, a animação das quadrilhas, das fogueiras acesas nas calçadas e dos estalos dos fogos de artifício também traz um risco pouco lembrado: a saúde dos olhos. A oftalmologista Fernanda Mota, integrante do corpo clínico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), chama atenção para os perigos que envolvem fumaça, brasas, pólvora e até óleo quente durante o preparo das comidas típicas.
“Ela pode provocar irritações severas, conjuntivite tóxica, agravar quadros de olho seco e intensificar alergias já existentes”, destaca a médica ao falar da fumaça das fogueiras.
Segundo a especialista, as fagulhas que se desprendem da lenha em combustão podem causar vermelhidão, coceira, ardência e sensibilidade à luz. Quando o incômodo não recebe tratamento adequado, há risco de lesões mais sérias na córnea e comprometer a visão.
Os fogos de artifício, tradicionais nas noites de 23 e 24 de junho, merecem atenção redobrada principalmente quando manuseados por crianças e adolescentes. Fragmentos de pólvora e partículas incandescentes podem atingir a superfície ocular, ocasionando queimaduras ou cortes.
“Sempre que a criança for utilizar uma ‘chuvinha’, o ideal é manter as mãos abaixo da linha dos olhos e nunca olhar diretamente para o artefato quando estoura no ar”, orienta Fernanda.
Adultos também não estão livres de acidentes. Ao cozinhar canjica, milho ou preparar amendoim em calda, respingos de líquido fervente podem espirrar nos olhos. Da mesma forma, quem utiliza churrasqueiras improvisadas ou manipula carvão perto de chamas fortes fica exposto a microqueimaduras na córnea.
O período junino costuma registrar aumento de atendimentos em pronto-socorros oftalmológicos. Queimaduras, traumas e irritações intensas lideram as ocorrências, conforme observam profissionais do HOS. Pacientes que já possuem doenças como glaucoma ou catarata devem manter a medicação prescrita e evitar exposição prolongada à fumaça.
“A fumaça não agrava diretamente glaucoma ou catarata, mas intensifica a irritação da superfície ocular. Quem sentir dor intensa, redução da visão ou notar qualquer lesão deve procurar um oftalmologista rapidamente”, acrescenta a médica.
Diante de um acidente, a recomendação é lavação imediata com água corrente ou soro fisiológico para interromper o contato com o agente agressor. Pomadas caseiras, colírios sem indicação ou receitas populares não devem ser aplicados.
Fundado há quatro décadas, o Hospital de Olhos de Sergipe dispõe de quatro unidades — três em Aracaju e uma em Lagarto — e mantém equipes de plantão durante o mês de junho para atendimento de urgência. “É muito melhor prevenir do que remediar. Pequenos cuidados, como manter distância segura da fogueira, usar óculos de proteção ao soltar fogos e atenção na cozinha, evitam sustos desnecessários”, conclui Fernanda Mota.
Neste São João, a dica é curtir o arrasta-pé sem descuidar da visão. Afinal, enxergar bem é essencial para apreciar o colorido das bandeirolas, o brilho da fogueira e a queima de fogos que iluminam o céu sergipano.
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