Um vereador levou à Câmara uma proposta que pode mudar como você anda pela cidade. Iran Barbosa defende que a prefeitura assuma o transporte coletivo, tirando das empresas privadas.
O debate sobre o futuro do transporte coletivo de Aracaju ganhou novo capítulo na quarta-feira, 17/06, quando o vereador Iran Barbosa (PSOL) ocupou a tribuna da Câmara Municipal para defender que o serviço passe da iniciativa privada para a gestão direta do Poder Público. Segundo ele, o modelo atual sobrecarrega os cofres municipais enquanto assegura margem de lucro às empresas operadoras.
“Cada vez mais, estou convencido de que o caminho que o Poder Público de Aracaju deve seguir é o de garantir integralmente o direito de locomoção da população dentro da cidade. Defendo a estatização do serviço de transporte público”, declarou o parlamentar.
Iran Barbosa citou como principal evidência os subsídios pagos pela Prefeitura para custear gratuidades, complementar a receita tarifária e financiar a compra de novos ônibus. De acordo com o vereador, esses aportes demonstram que a atividade não apresenta riscos significativos ao setor privado, já que o próprio município cobre boa parte das despesas operacionais.
Conforme o discurso, o município não apenas injeta recursos para equilibrar as contas das empresas, como ainda arca com financiamentos destinados à renovação da frota. O parlamentar acredita que, se o erário já suporta a maior parte dos custos, seria razoável transferir a operação para uma empresa 100% pública, garantindo que a receita retorne aos cofres municipais e seja reinvestida no próprio sistema.
“A Administração Municipal está provando que o negócio do transporte coletivo na nossa cidade é sem risco para o empresário, porque é a própria gestão quem financia tudo. Os investimentos são feitos com dinheiro público, mas o lucro fica com as empresas privadas”, criticou.
Em sua avaliação, o transporte público deve seguir a trajetória de setores como educação e saúde, hoje reconhecidos como direitos constitucionais e executados diretamente ou supervisionados de perto pelo Estado. O vereador também defendeu a adoção gradual da tarifa zero e maior transparência sobre planilhas de custos e contratos.
“Seguiremos tensionando e lutando por essa pauta, pela tarifa zero e por mais transparência sobre o negócio que envolve o transporte coletivo em nossa cidade”, afirmou.
Para o parlamentar, a estatização representaria não apenas economia, mas também a criação de um serviço focado na mobilidade urbana como direito social, sem a lógica do lucro. Ele encerrou o pronunciamento sublinhando que o tema ainda requer amplo debate público e aprofundamento técnico.
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