Fiscalização do MPT e MPF encontrou sobrecarga de trabalho e falhas estruturais no HUL. A inspeção desta quarta pode mudar as condições de quem trabalha e se trata na unidade.
Uma inspeção realizada pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e pelo Ministério Público Federal (MPF) revelou indícios de sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais e problemas estruturais no Hospital Universitário de Lagarto (HUL/UFS), localizado no Centro-Sul do estado. A diligência ocorreu nesta quarta-feira, 17 de junho, e faz parte de investigações sobre as condições de trabalho na unidade.
A ação contou com a participação de membros dos dois órgãos, além de um perito e representantes do hospital, da HU Brasil, do Hospital do Amor e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares de Sergipe (Sindserh/SE). De acordo com informações do MPT-SE, a inspeção está relacionada a procedimentos que investigam o dimensionamento das equipes, a organização do trabalho e os riscos psicossociais enfrentados pelos profissionais de saúde.
Logo no início da visita, os procuradores ouviram relatos de trabalhadores que apontaram a pressão constante, a alta demanda e os afastamentos frequentes por problemas de saúde.
“Durante a diligência, foram observadas situações que merecem aprofundamento no âmbito dos procedimentos em curso, entre elas relatos de sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais em determinados setores, afastamentos por adoecimento e dificuldades enfrentadas pelas equipes assistenciais diante da elevada demanda da unidade hospitalar. Trabalhadores relataram pressão constante, elevada demanda de atendimento e afastamentos frequentes de colegas por problemas de saúde, inclusive relacionados à saúde mental”, afirmou a vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta.
A equipe de inspeção também identificou problemas na estrutura da unidade, como áreas de isolamento improvisadas para pacientes, irregularidades em espaços de refeição e dormitórios com colchões danificados. O MPF já havia recomendado ao hospital e à HU Brasil a adequação das escalas médicas, a garantia de cobertura de plantões e especialidades, o controle de frequência por biometria e a reorganização dos fluxos assistenciais.
Durante a visita, houve uma reunião com o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), André Maurício Souza, e representantes das instituições envolvidas. O objetivo do encontro foi discutir as irregularidades encontradas e as medidas que estão sendo adotadas para reduzir riscos ocupacionais. Segundo a procuradora Clarisse Farias Malta, a unidade ainda não forneceu dados suficientes sobre os impactos da organização do trabalho na saúde dos profissionais.
“Chamou atenção a ausência de dados consolidados sobre adoecimento mental, especialmente com recorte por setor e categoria profissional, bem como a falta de elementos que permitam avaliar os impactos da atual organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores”, destacou.
Os órgãos irão analisar os dados coletados durante a inspeção para definir as próximas etapas das investigações.
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