O ceratocone afina e deforma a córnea e pode roubar a visão de crianças e jovens sem dar aviso. Junho Violeta alerta para o diagnóstico precoce antes que o problema avance.
O ceratocone é uma doença ocular progressiva que afeta a córnea, a parte frontal do olho, levando ao seu afinamento e deformação em formato de cone. Essa condição compromete significativamente a qualidade da visão, atingindo principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Em casos mais avançados, pode ser necessário o transplante de córnea.
No mês de junho, a doença ganha destaque em virtude da campanha Junho Violeta, que visa conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a evolução do quadro. O oftalmologista Dr. Allan Luz, especialista em ceratocone e membro do corpo clínico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), alerta que a doença geralmente se manifesta na adolescência ou na segunda infância, muitas vezes de forma silenciosa.
“O ceratocone afeta adolescentes e jovens que usam óculos desde cedo e, mesmo com aumento do grau, não conseguem boa qualidade visual. É uma condição progressiva e que exige acompanhamento”, explica Dr. Allan.
Entre os principais sinais de alerta da doença estão a piora progressiva da visão, o aumento frequente de miopia e astigmatismo, além da necessidade constante de troca de óculos. Mesmo com a correção óptica adequada, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades com a visão, que pode permanecer borrada ou distorcida.
A condição geralmente afeta ambos os olhos, mas de maneira assimétrica, e pode ter uma evolução mais rápida em pessoas com histórico familiar, alergias oculares e o hábito de coçar os olhos. Dr. Allan destaca que coçar os olhos é um agravante importante:
“Coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas aumenta processos inflamatórios e contribui diretamente para o enfraquecimento da córnea”.
Os jovens estão entre os mais afetados pelo ceratocone, que costuma se manifestar antes dos 18 anos, um período crucial para a formação escolar e profissional. O diagnóstico tardio pode trazer consequências duradouras, impactando o desempenho escolar e a qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone anualmente. Durante décadas, a doença foi uma das principais causas de transplante de córnea no Brasil, especialmente quando não era diagnosticada e tratada precocemente.
Felizmente, os avanços nas técnicas médicas têm mudado esse cenário. Entre os principais tratamentos, destaca-se o crosslinking de colágeno, que fortalece a córnea e impede a progressão da doença, além dos implantes de anéis intracorneanos, que ajudam a remodelar a estrutura e melhorar a visão. Dr. Allan explica:
“O crosslinking, desenvolvido no fim da década de 1990 e amplamente utilizado a partir dos anos 2000, mudou a história natural da doença. Hoje conseguimos estabilizar muitos casos e evitar a progressão para estágios mais graves”.
Embora as lentes de contato não tratem o ceratocone, elas fazem parte da reabilitação visual, ajudando na qualidade da visão, mas não interferindo na evolução da doença.
A principal mensagem do Junho Violeta é a importância do diagnóstico precoce, que permite iniciar o tratamento antes da progressão do quadro.
“Quando diagnosticado cedo, conseguimos estabilizar o ceratocone e preservar a visão, evitando a necessidade de transplante de córnea”, conclui o oftalmologista.

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