Só em junho, 61 pessoas foram atendidas no Pronto-Socorro do Huse com queimaduras. Fogos de artifício lideram as causas e deixam sequelas graves em vítimas de todas as idades.
O primeiro semestre de 2026 terminou com um número preocupante na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse): foram 73 admissões de pacientes vítimas de queimaduras entre janeiro e junho. Os casos chegaram por causas variadas — fogo direto, líquidos superaquecidos, choque elétrico e substâncias químicas. Mas foi junho quem concentrou o maior volume de atendimentos, puxado pelo período junino.
Somente entre 31 de maio e 30 de junho deste ano, o Pronto-Socorro do Huse registrou 61 atendimentos relacionados a queimaduras. Desse total, 33 pacientes se acidentaram com fogos de artifício — espadas, bombas, busca-pés e pólvora, incluindo um caso envolvendo bacamarte. Dezoito precisaram ser internados na UTQ, sendo quatro vítimas diretas dos fogos. Em comparação, no mesmo período de 2025 foram 62 atendimentos no Pronto-Socorro, com 31 casos ligados a fogos de artifício — o que mostra que os números de 2026 seguem uma curva parecida, mas ainda preocupante.
A gerente da UTQ, Wandressa Nascimento, reconhece que o volume está dentro do esperado para a época, mas deixa claro que isso não significa conformismo. “Infelizmente, os acidentes continuam acontecendo e junho permanece como um período de aumento importante no número de pacientes vítimas de queimaduras. O mais preocupante é que são acidentes totalmente evitáveis”, destacou. Ela relata situações graves do dia a dia da unidade: “Recebemos pacientes com queimaduras complexas, amputações de dedos e mãos porque tentaram pegar um artefato que imaginavam não estar mais ativo. Também atendemos vítimas com lesões oculares graves, que podem resultar na perda da visão. São sequelas que acompanharão essas pessoas por toda a vida, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico. Por isso, reforçamos constantemente a importância da prevenção”, enfatizou.
Com mais de 20 anos de atuação em Sergipe, a UTQ do Huse conta com 14 leitos de alta complexidade e uma sala exclusiva para curativos. O atendimento é feito por equipe interdisciplinar formada por cirurgiões plásticos, instrumentadores cirúrgicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais de saúde. Para ser encaminhado à unidade, o paciente precisa ser avaliado primeiro por um profissional de saúde em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).



Fonte: Governo de Sergipe – Saúde
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