O avanço da mobilidade elétrica no Brasil vem ampliando a demanda por tecnologias capazes de tornar os veículos mais seguros, eficientes e duráveis. Em maio deste ano, o país registrou 44.981 emplacamentos de veículos elétricos e híbridos, um crescimento de 16,8% em relação ao mês anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em Sergipe, esse movimento acompanha a tendência nacional e reforça a importância de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados para esse setor estratégico.
É nesse contexto que pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desenvolvem o projeto Centro de Inovação em Durabilidade Acelerada para Automóveis Elétricos (CIDA), iniciativa gerenciada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese). O projeto está estruturando uma infraestrutura de pesquisa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para monitoramento inteligente e avaliação da durabilidade de veículos elétricos. A proposta reúne professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação em torno de soluções capazes de antecipar falhas mecânicas e elétricas, contribuindo para aumentar a confiabilidade desses veículos e reduzir custos de manutenção.
O projeto atua em duas grandes frentes. A primeira é o desenvolvimento de um sistema eletrônico embarcado que utiliza técnicas avançadas de monitoramento para identificar sinais precoces de falhas durante o funcionamento do veículo. A segunda consiste na realização de ensaios acelerados de durabilidade, capazes de simular anos de uso em poucos dias de testes laboratoriais.
Segundo o coordenador do projeto, professor Douglas Riffel, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFS, a pesquisa nasceu de uma demanda da indústria. Inicialmente, a equipe desenvolveu uma tecnologia para uma fabricante nacional de motores elétricos, que permite detectar falhas em estágios iniciais, que não eram identificadas por métodos convencionais.
“A ideia é desenvolver uma solução para ser instalada no carro elétrico e capaz de detectar falhas durante a operação do veículo. O sistema monitora o funcionamento do motor e pode avisar o motorista quando um problema está começando a surgir”, explica o professor.
O sistema utiliza a chamada assinatura de corrente elétrica, técnica que analisa o comportamento da energia que alimenta o motor sem necessidade de sensores diretamente nas partes mecânicas. Alterações nesse padrão permitem identificar problemas como desalinhamentos, desbalanceamentos e falhas internas.
Além do monitoramento inteligente, o projeto conta com um laboratório de ensaios de durabilidade que simula condições extremas de uso, como vibração, temperatura e umidade, acelerando o envelhecimento de componentes para avaliar seu desempenho.
De acordo com o coordenador adjunto, professor Alexandre Rodrigues, “conseguimos reproduzir, em poucos dias, situações que um componente enfrentaria durante anos de utilização. Isso permite identificar desgastes, avaliar a durabilidade dos materiais e oferecer informações importantes para que os fabricantes desenvolvam produtos mais confiáveis e seguros”.
O projeto também tem como objetivo beneficiar pequenas e médias empresas do setor automotivo, que não possuem centros próprios de testes. Assim, o CIDA pretende oferecer suporte tecnológico a esses fabricantes, possibilitando a validação de componentes e materiais em condições controladas, contribuindo para o desenvolvimento de produtos mais seguros e confiáveis.
O estudante de Engenharia Eletrônica Juan Roberto destaca a importância do projeto para a formação acadêmica. “A partir da análise dos sinais de corrente e de frequência conseguimos confirmar quando o comportamento do motor realmente caracteriza uma falha. Nem todo indicativo representa um defeito, por isso analisamos essas variações para verificar se existe, de fato, um problema”, afirma.
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