Tifanny, oposta do Osasco e primeira atleta trans da Superliga, disse que a nova regra que limita o feminino ao sexo atribuído ao nascer é um golpe à sua trajetória. Aos 41 anos, afirma que seguirá na carreira.
A oposta Tifanny, integrante da equipe do Osasco São Cristóvão Saúde, se manifestou pela primeira vez sobre a nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A regra restringe a participação em competições femininas a atletas designadas como do sexo biológico feminino ao nascer, o que gerou repercussão no cenário esportivo.
Tifanny, que aos 41 anos é a primeira atleta transgênero a competir na Superliga, considerou a nova política um “enorme retrocesso” e deixou claro que não pretende desistir de sua carreira no voleibol. “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans”, afirmou a jogadora.
O pronunciamento de Tifanny foi feito após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista de Vôlei, realizada no último sábado (15), em casa, no Ginásio José Liberatti, onde enfrentou o Pinheiros. Apesar de marcar 19 pontos e ser bastante celebrada pela torcida, a equipe osasquense foi derrotada por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, após uma partida que durou pouco mais de duas horas.
A participação de Tifanny na partida ocorreu mesmo após a nova política da CBV ter sido anunciada, uma vez que a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Estadual seguiria o regulamento vigente desde o início do torneio. A FPV declarou que “eventuais medidas” seriam tomadas para futuras competições, após análise das áreas jurídica e de saúde.
A nova regra de elegibilidade foi divulgada pela CBV na última sexta-feira (14) e visa alinhar-se às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Segundo a confederação, as atletas precisam atender a critérios específicos, incluindo a apresentação de um teste negativo para o gene SRY. Anteriormente, mulheres trans podiam competir contanto que os níveis de testosterona estivessem abaixo de um limite determinado.
Além disso, a nova determinação já terá validade para a Superliga, a Supercopa e a Copa Brasil, bem como para o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia a partir de 2027. Tifanny concluiu seu pronunciamento reafirmando que não se calará e que tomará todas as medidas possíveis para garantir o direito à visibilidade, inclusão e prática do esporte.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








