Pesquisa do Banco do Nordeste mostra que mulheres já representam 53,7% dos clientes em Sergipe, acima dos 50,3% de 2024. Nos sete primeiros meses de 2026 elas contrataram R$135,6 milhões (51,5% do volume), reforçando seu protagonismo.
O campo sergipano vem registrando um avanço expressivo da presença feminina nas atividades produtivas. Dados mais recentes do programa de microcrédito rural Agroamigo, operado pelo Banco do Nordeste (BNB), indicam que elas representam hoje 53,7% do total de clientes atendidos no estado. O percentual supera o patamar de 50,3% alcançado em 2024 e confirma a tendência de maior protagonismo das produtoras nas cadeias de agricultura e pecuária familiares.
Nos sete primeiros meses de 2026, foram mais de R$ 135,6 milhões contratados por mulheres em Sergipe, o que equivale a 51,5% do volume liberado pelo programa no período. O reforço desse protagonismo ocorre justamente no ano em que o Agroamigo celebra o Ano da Mulher Agricultora, em sintonia com a declaração da Organização das Nações Unidas (ONU). O movimento de valorização compreende os nove estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde o BNB atua.
Histórias como a da pecuarista Laís Andrade ajudam a ilustrar a transformação. Moradora da zona rural de Campo do Brito, região Agreste, ela iniciou as lidas no curral aos 15 anos, seguindo a tradição familiar. Em 2017, ingressou no Agroamigo e utilizou os recursos para adquirir os primeiros animais. Desde então, firmou novas operações que somam R$ 61,9 mil para compra de terreno, equipamentos de preparo de ração, melhorias sanitárias e pequenas reformas. Hoje, Laís e o marido William cuidam de 12 cabeças de gado.
“É desafiador ser mulher nesse meio, mas não troco por nada. Sou feliz acordando cedo, cuidando do meu gado, e nada muda isso”, relata Laís.
Em Capela, no leste sergipano, a produtora Juliana Cardoso também recorreu ao microcrédito. Há sete anos no programa, investiu em avicultura de corte e instalou uma usina solar para garantir economia de energia e sustentabilidade.
“Essa é hoje a principal renda da minha família. Com o financiamento, implantei um sistema semiautomático de ração e adquiri um monocultivador que prepara melhor o solo”, detalha Juliana.
O avanço feminino no Agroamigo é acompanhado de perto pela coordenação local do programa.
“O público feminino já é prioritário no atendimento. Elas lideram processos produtivos e empreendem tanto quanto os homens”, observa o gerente estadual do Agroamigo, Luiz Morato.
O Agroamigo oferece crédito assistido de até R$ 24 mil por operação para agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Além do acesso a recursos, a iniciativa disponibiliza orientação técnica e acompanhamento, fatores apontados como decisivos para a evolução dos empreendimentos das produtoras sergipanas.
Com o aumento da adesão feminina, o programa busca fortalecer ações de capacitação voltadas a gestão, comercialização e uso de tecnologias sustentáveis. A expectativa é que o número de mulheres beneficiadas continue crescendo até o fim de 2026, ampliando renda e garantindo a permanência qualificada das famílias no meio rural.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








