Em 10 dias, força-tarefa do MPSE, Adema, Ibama e PM fiscalizou 18 áreas e autuou mais de 10 ha de desmatamento em Sergipe. Foram quatro embargos e R$638 mil em multas; outras medidas seguem em análise.
Em dez dias de trabalho, entre 17 e 27 de agosto, a Operação Mata Atlântica em Pé 2026 autuou mais de 10 hectares de desmatamento ilegal em Sergipe. A força-tarefa contou com o Ministério Público do Estado (MPSE), a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), o Ibama e a Polícia Militar, que fiscalizaram 18 áreas do bioma, somando 98 hectares.
Os fiscais emitiram quatro embargos e aplicaram R$ 638 mil em multas referentes a 14 hectares de vegetação suprimida sem autorização. Além das sanções já lavradas, outras medidas administrativas estão em análise pelos órgãos responsáveis.
O trabalho começou nos computadores, com o cruzamento de dados de satélites e sistemas de alerta, como o MapBiomas Alerta. A partir desses 18 avisos de possível derrubada, equipes percorreram os locais para checar a situação em campo. A estratégia, que combina inteligência geoespacial e presença física, tem sido apontada como um dos fatores para a queda nos índices de desmate ao longo dos últimos anos.
“Sergipe obteve resultados expressivos, destacando-se pela redução dos alertas de desmatamento em comparação aos anos anteriores, o que reflete a efetividade das ações de vigilância e fiscalização implementadas pelos órgãos competentes na preservação desse bioma. No âmbito estadual, a fiscalização foi conduzida pela Adema, em parceria com o Ibama e a Polícia Militar”.
A atividade no estado integra uma mobilização simultânea nos 17 estados que ainda possuem remanescentes da Mata Atlântica: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A coordenação nacional é feita pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica. O resultado consolidado em nível nacional será apresentado amanhã, 28 de agosto, em coletiva de imprensa no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte (MG), durante a abertura do Seminário “20 anos da Lei da Mata Atlântica”. Na mesma ocasião ocorrerá a primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé.
“O monitoramento contínuo, aliado à fiscalização híbrida, presencial e remota, efetiva responsabilização dos infratores, tem fortalecido a proteção da Mata Atlântica e contribuído para ampliar o controle sobre o desmatamento ilegal. Esse trabalho vem sendo reconhecido como um dos fatores que tem contribuído decisivamente para a redução das taxas de desmatamento do bioma nos últimos anos”.
Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica indicam que, em 2025, o desmate no bioma registrou redução de 40% em relação ao período anterior e de 60% na comparação com 2020-2021, alcançando a menor taxa em quatro décadas de monitoramento.
“Os resultados dos últimos anos mostram que é possível reduzir o desmatamento da Mata Atlântica quando a legislação é aplicada com rigor, há monitoramento permanente e os órgãos responsáveis conseguem agir sobre as ilegalidades identificadas. A Operação Mata Atlântica em Pé tem uma contribuição muito importante nesse processo ao integrar Ministério Público, órgãos ambientais e tecnologia para transformar alertas de desmatamento em fiscalização e responsabilização”.
Quando confirmada a infração, os responsáveis ficam sujeitos a multas, embargos, obrigação de recompor o dano ambiental e eventuais processos cíveis ou criminais. As propriedades também podem sofrer restrições no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e no acesso a crédito rural, conforme prevê a legislação.
Com a divulgação do balanço nacional, as instituições envolvidas pretendem reforçar a mensagem de que o uso de tecnologia, somado à cooperação entre órgãos, é uma ferramenta eficaz para frear a perda da cobertura florestal no país. Em Sergipe, a expectativa é que as ações continuem ao longo do ano, consolidando o recuo gradual dos alertas de desmate e avançando rumo à preservação total do que resta do bioma no território sergipano.
Fonte: Ministério Público de Sergipe (MPSE)
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