Em 1º de setembro, o primeiro ciclo do Delas Quilombola chegou ao fim na Fazenda Boa Luz, em Santa Luzia do Itanhy. Entre as formadas, Gildete Ramos inaugura em 13/9 uma sorveteria artesanal de coco verde.
O encerramento do primeiro ciclo do Delas Quilombola, iniciativa do Sebrae Sergipe voltada às mulheres negras de territórios tradicionais, ocorreu em 1º de setembro, na Fazenda Boa Luz. O momento marcou a certificação da turma formada por artesãs, marisqueiras e produtoras rurais do município de Santa Luzia do Itanhy, no litoral sul do estado.
Entre as participantes, a artesã e marisqueira Gildete Ramos celebrou a conclusão da jornada enquanto se prepara para o próximo passo: no dia 13 de setembro ela vai inaugurar uma sorveteria artesanal no povoado Crasto, tendo o coco verde como ingrediente principal. O empreendimento surgiu das mentorias recebidas durante o programa.
“Eu não sei o que não faço”, comentou, aos risos, ao lembrar que sempre soube transformar todo tipo de oportunidade em renda.
Ela relata que, antes das capacitações, não visualizava o negócio que agora está próximo de ganhar forma.
“O processo não foi fácil, mas foi prazeroso. Através do Delas, tenho um projeto que será inaugurado dia 13 de setembro. Antes, eu não tinha essa visão”, afirmou.
O Delas Quilombola nasceu após reuniões com moradoras dos povoados do Território Empreendedor. Segundo a coordenação, a escuta ativa revelou dificuldades de acesso às formações tradicionais, motivando a criação de uma trilha adaptada aos horários e às realidades dessas mulheres.
“O Delas Quilombola nasce da nossa escuta aberta a essas mulheres, em parceria com a Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae, que trabalha os territórios”, explicou Mariana Nunes, gestora do Sebrae Delas em Sergipe.
Para nivelar os conhecimentos, consultores aplicaram diagnósticos de maturidade. A partir daí, conteúdos de gestão, planejamento financeiro, comunicação e precificação foram oferecidos conforme o estágio de cada empreendedora. Houve ainda visitas técnicas e encontros coletivos, que reforçaram laços entre as alunas.
Além da parte técnica, a troca de vivências foi apontada como um dos pontos altos. Durante o encerramento, dinâmicas de grupo, exposição de produtos e apresentação cultural do Samba de Pareia do povoado Muçuca reforçaram a identidade quilombola da região.
O certificado entregue no dia 1º simboliza o fim de uma etapa, mas também o início de novos planos. Muitas participantes já desenham produtos e serviços para lançar nos próximos meses, impulsionadas pelas redes de contato que construíram.
Gildete, agora focada nos últimos detalhes da sorveteria, acredita que o empreendimento vai gerar renda para a família e inspirar outras moradoras do Crasto.
“Abraçamos a chance quando a consultora apareceu e nos mostrou. De lá para cá, foi muito aprendizado”, revelou.
Com a conclusão do primeiro ciclo, o Sebrae Sergipe estuda ampliar o Delas Quilombola para outros municípios onde existem comunidades quilombolas cadastradas. A proposta é manter o formato flexível, respeitando diferenças culturais e econômicas de cada localidade.
Enquanto os novos grupos não são formados, as formandas seguem em contato com as consultoras para tirar dúvidas e ajustar planos de negócio. A expectativa é de que as primeiras empresas estruturadas durante a capacitação, como a sorveteria de Gildete, comecem a operar ainda neste mês de setembro, mostrando que o conhecimento adquirido já se converte em oportunidades concretas.

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