Conselho destaca que o Plano Estadual traçou metas claras para saúde, educação, mobilidade, cultura e renda. A presidente Deise Xavier reconhece avanços, mas cobranças por acessibilidade seguem na pauta.
O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Altas Habilidades de Sergipe (Conser) fez um balanço dos progressos recentes e dos desafios que ainda persistem para garantir a inclusão no estado. Em entrevista à rádio, a presidente do colegiado, Deise Xavier, avaliou que a aprovação do Plano Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência representou um divisor de águas ao definir metas e responsabilidades para os próximos anos.
Ela explicou que o plano desenha uma rota para áreas como saúde, educação, mobilidade, cultura e geração de renda, criando indicadores que permitem acompanhar se as iniciativas realmente chegam a quem precisa. Outro ponto considerado estratégico foi a criação do Fundo Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Deise lembrou que o mecanismo abre a possibilidade de lançar editais e financiar projetos de organizações da sociedade civil: segundo a dirigente, editais de até R$ 1 milhão podem beneficiar múltiplas instituições, turbinando ações locais que complementem o trabalho estatal.
O Conser, composto por representantes do poder público e da sociedade civil, também mantém fiscalização sobre concursos e políticas de acessibilidade. Quando detecta descumprimento da reserva de vagas ou ausência de recursos de apoio — como intérprete de Libras — o colegiado primeiro tenta o diálogo com o órgão responsável; se não houver solução, o caminho pode envolver o acionamento do Ministério Público.
No transporte público, a presidente observou que a gratuidade não basta. Problemas como falta de plataforma elevatória funcionando, comunicação ineficiente com os motoristas e letreiros digitais de difícil leitura continuam a limitar o direito de ir e vir. A dirigente defendeu a manutenção de informações laterais nos veículos para pessoas com baixa visão e pediu cronogramas claros de manutenção dos equipamentos de acessibilidade.
A entrevista também citou a experiência com o programa “Todo Voto Volta” na última eleição, iniciativa que facilitou o deslocamento de eleitores com deficiência até as seções. A expectativa, segundo a presidente, é multiplicar o projeto em outros municípios sergipanos nos próximos pleitos.
A ausência de intérpretes de Libras em postos de saúde, escolas e repartições públicas permanece como uma barreira comunicacional séria. Deise relatou casos em que pacientes surdos não conseguiram relatar sintomas de forma adequada durante consultas, expondo riscos à saúde e ferindo a dignidade.
“A pior barreira é a atitudinal”
Com essa frase, a representante do Conser resumiu o que considera o principal entrave: a falta de sensibilidade e conhecimento de parte da sociedade, que dificulta a implementação de acessibilidade mesmo onde há recursos estruturais. Ela defendeu campanhas permanentes de conscientização e formação para servidores, gestores e para a população em geral.
Deise afirmou que o conselho pretende intensificar a articulação com secretarias, câmaras municipais e organizações não governamentais, a fim de acelerar políticas de inclusão. A dirigente reforçou que a existência de leis e planos só produz resultados quando aliada ao acompanhamento cotidiano e à cobrança por mudanças concretas.
Ao final, ela convocou a sociedade sergipana a participar das discussões, apresentar demandas e fiscalizar a execução das políticas, lembrando que a construção de um estado verdadeiramente acessível depende do envolvimento coletivo.
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