Estação começa nesta terça (22/9) e, segundo a Semac, o El Niño deve elevar as temperaturas e deixar as chuvas mais irregulares até 21 de dezembro. Sertão e Agreste terão aquecimento já em outubro.
A primavera começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, e a previsão climática traça um cenário de calor mais intenso e chuvas irregulares em todo o território sergipano. A análise é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), que aponta a influência do fenômeno El Niño como um dos principais motores das mudanças esperadas para a estação, que segue até 21 de dezembro, às 18h50.
Segundo a Gerência de Meteorologia e Mudanças Climáticas da Semac, a temperatura tende a subir já a partir de outubro, com destaque para o sertão e o agreste, regiões que historicamente registram picos térmicos mais elevados. No litoral, a brisa marítima deve atenuar um pouco a sensação de calor, mas não o suficiente para impedir que os termômetros ultrapassem a média histórica do período.
“Temos possibilidade de períodos prolongados de pouca chuva alternados com episódios de precipitação significativa”
A avaliação foi feita pela meteorologista Wanda Tathyana de Castro ao explicar que a principal característica da primavera deste ano será a distribuição desigual das chuvas. O prognóstico indica precipitações abaixo da média mensal, intercaladas com pancadas fortes e localizadas, o que pode provocar curtos períodos de alagamentos em áreas urbanas, enquanto o interior enfrenta risco de estiagem e déficit hídrico.
No sertão e em parte do agreste, a preocupação maior é justamente com a escassez de água. A possibilidade de sofrer longas horas sob altas temperaturas, somadas à baixa umidade relativa do ar, aumenta o desconforto da população e pode afetar atividades agropecuárias. Por outro lado, as chuvas pontuais, quando ocorrerem, podem vir acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas e alagamentos temporários, exigindo atenção redobrada de moradores e gestores municipais.
O El Niño, fenômeno que consiste no aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, costuma favorecer um padrão de tempo mais seco e quente no Nordeste. Entretanto, a Semac destaca que a intensidade de seus efeitos depende de outros fatores, como a circulação atmosférica sobre o Atlântico Tropical, a disponibilidade de umidade e a passagem de sistemas frontais vindos do Sul do país. Essa combinação cria um quadro de alta variabilidade, dificultando previsões de longo prazo com precisão absoluta.
A estação conhecida popularmente como “das flores” traz ainda o aumento gradual da luminosidade e dias mais longos, condições que estimulam a fotossíntese e o florescimento de espécies locais, como ipês de diferentes tonalidades. Embora o colorido da vegetação se destaque, a Semac recomenda que a população fique atenta aos boletins de monitoramento climático e aos alertas de seca que serão divulgados periodicamente. Isso é fundamental para planejar o uso racional da água e adotar medidas de prevenção contra condições extremas de tempo.
Para agricultores, órgãos públicos e cidadãos em geral, a orientação é manter sistemas de irrigação eficientes, armazenar água sempre que possível e elaborar planos de contingência para eventuais períodos de estiagem. Ao mesmo tempo, é prudente revisar estruturas de drenagem urbana, diante da chance de chuvas rápidas porém intensas que podem causar transtornos localizados.
Com a confirmação da tendência de temperaturas acima da média e precipitações irregulares, a primavera de 2026 exige monitoramento constante do céu sergipano. Entre o calor que pressiona lavouras e a chuva que chega sem avisar, a palavra de ordem nos próximos três meses será vigilância: tanto para quem vive do campo quanto para quem circula na cidade.
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