Piracicaba (SP) – Um convênio firmado nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, criou o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros) e garantiu R$ 90 milhões para ações de combate ao greening durante os próximos cinco anos.
A iniciativa integra 19 instituições e 76 departamentos científicos de Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália. O acordo foi assinado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), em Piracicaba, com participação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), produtores e representantes do governo paulista.
O que é o greening
Provocada por bactérias que amarelecem folhas e ressecam flores, a doença é considerada a mais devastadora da citricultura mundial. Sem cura conhecida, o controle depende de pesquisa genética, monitoramento rigoroso e eliminação de plantas contaminadas.
Recursos e objetivos
Os R$ 90 milhões serão aplicados em pesquisa aplicada, transferência de tecnologia e programas de educação voltados a produtores. A meta é desenvolver estratégias que reduzam a incidência da praga e garantam maior sustentabilidade econômica e ambiental aos pomares.
Impacto no cinturão citrícola
Levantamento do Fundecitrus mostra que Limeira lidera a incidência de greening no cinturão citrícola São Paulo–Minas Gerais: a taxa subiu de 73,87 % em 2023 para 79,38 % em 2024. A alta contaminação diminui a produção, pressiona os custos e encarece laranjas e sucos.
Produtores sentem no bolso
Na fazenda da família de Lucas Eduardo Boschiero, 80 % das 100 mil árvores estão infectadas. Para manter a atividade, a propriedade passou a colher em outros estados, como Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Goiás. O quilo da laranja destinada à indústria saltou de R$ 0,80 para R$ 2; no varejo, a fruta que custava R$ 1 agora chega a R$ 3.
O comerciante Elias Staiguer, que opera um restaurante e fábrica de sucos em área antes ocupada por laranjais, afirma que precisa comprar a fruta de regiões mais distantes, arcando também com o frete. “A laranja vem de mais longe, está mais cara e isso pesa no preço final”, relata.
Com a criação do CPA Citros, pesquisadores esperam acelerar soluções que aliviem essas perdas e reforcem a competitividade do setor.
Dados detalhados sobre o greening estão disponíveis no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que monitora a praga em todo o país.
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Com informações de G1
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