O aumento de 50% nas tarifas aplicado pelo governo dos Estados Unidos sobre mais da metade das exportações brasileiras deve reduzir, ainda que de forma moderada, a inflação no Brasil em 2025, segundo avaliação de analistas de mercado.
Oferta interna maior e preços menores
Com a sobretaxa, itens como café, carnes, máquinas, frutas e peixes tendem a encontrar dificuldade para entrar no mercado norte-americano. A parcela da produção que não conseguir novos destinos ficará no Brasil, elevando a oferta doméstica e, consequentemente, puxando preços para baixo.
“Frutas e peixes já apresentam relatos de recuo nos valores. Ovos também devem baratear”, afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. Ele pondera que a queda de preços pode ser menos intensa em carnes e café, cujos produtores buscam outros compradores externos.
O economista André Perfeito destacou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho já veio abaixo das expectativas e deve receber novo impulso com a maior oferta de alimentos. Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, projeta impacto limitado na inflação de 2025, “de alguns centésimos de ponto percentual”, mas reconhece redução nos preços de manga, uva e tilápia, peixe fortemente exportado para os EUA.
Incerteza para 2026
Para 2026, o cenário é considerado imprevisível. Se o prejuízo deste ano levar produtores a reduzir plantio, criação ou cultivo, o resultado pode ser inverso, com pressão de alta nos preços, avalia Gustavo Cruz. Juliana Machado Goncalves Daitx, da Unicred Porto Alegre, vê alívio temporário: “Produtores tendem a ajustar decisões. O efeito dificilmente muda de forma significativa as projeções de inflação a partir de 2026”.

Imagem: Trump entraram em vigor logo após a mei via g1.globo.com
Efeito sobre a política monetária
O Banco Central mantém a meta contínua de inflação em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para alcançar o objetivo, a taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A autoridade monetária trabalha com projeção de IPCA em 3,4% até março de 2027.
Boa parte do mercado espera início do ciclo de corte de juros apenas em 2026. André Perfeito, porém, acredita que a queda de preços provocada pela tarifa norte-americana pode antecipar o movimento, levando a Selic a terminar 2025 em 14,50%. Boragini vê a possibilidade como remota, a menos que as projeções de inflação fiquem na meta ou abaixo dela.
Com informações de g1
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