Uma aposta feita na plataforma de criptomoedas Polymarket levantou suspeitas de uso de informação privilegiada após render lucro superior a US$ 436 mil (cerca de R$ 2,3 milhões) com a notícia da prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A transação ocorreu poucas horas antes de o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump informar, em 3 de janeiro, que o líder sul-americano havia sido detido e estava sob custódia norte-americana.
Como ocorreu a movimentação
De acordo com dados públicos da Polymarket, na tarde de 2 de janeiro as chances de Maduro deixar o poder até o fim do mês eram estimadas em apenas 6,5%. Pouco antes da meia-noite, o percentual subiu para 11% e disparou na madrugada seguinte—movimento que coincidiu com a publicação de Trump na rede Truth Social.
A conta responsável pelo ganho expressivo entrou na plataforma em dezembro e efetuou quatro apostas, todas relacionadas à Venezuela. O maior lance, de US$ 32.537 (aproximadamente R$ 175 mil), foi exatamente aquele que resultou no retorno de quase meio milhão de dólares. O perfil é identificado apenas por um código alfanumérico de blockchain, sem informações públicas sobre o titular.
Repercussão e questionamentos
Especialistas apontam sinais de negociação baseada em informações não públicas. “Essa aposta em particular tem todas as características de uma negociação com informação privilegiada”, afirmou Dennis Kelleher, diretor-executivo da organização Better Markets, à rede CBS.
Outros poucos usuários também faturaram dezenas de milhares de dólares em apostas semelhantes. A Polymarket, procurada para comentar o episódio, não se manifestou.
Debate sobre regulação
O caso reacendeu discussões no Congresso dos EUA. O deputado democrata Ritchie Torres, de Nova York, apresentou em 6 de janeiro um projeto de lei que pretende impedir funcionários públicos de apostar em mercados de previsão quando possuírem “informações relevantes não públicas” sobre o tema.
A negociação de ações com base em informação privilegiada é ilegal no mercado financeiro tradicional, mas os mercados de apostas ainda operam com menos restrições. Plataformas como Polymarket e Kalshi atraem volumes milionários em previsões que vão de eventos esportivos à política.
Embora tenha enfrentado maior escrutínio regulatório durante o governo Biden, o setor foi visto com mais simpatia na administração Trump. Donald Trump Jr., filho do ex-presidente, atua como consultor tanto na Kalshi quanto na Polymarket.
Um porta-voz da Kalshi declarou que a empresa “proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo a realizada por funcionários do governo”.
Não há, até o momento, indícios públicos sobre a identidade do apostador nem confirmação de eventual investigação oficial.
Com informações de G1
O debate sobre mercados de previsão vem sendo acompanhado pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), responsável por supervisionar parte desse segmento.
Para acompanhar outras notícias sobre política internacional, visite a editoria Internacional do nosso site.
Fique atento a novos desdobramentos sobre o caso e compartilhe esta reportagem nas suas redes para manter mais pessoas informadas.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








