Brasília-DF – O relatório que a base governista levará à CPMI do INSS nesta sexta-feira (27) pedirá o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “chefe do esquema” de descontos não autorizados aplicados a aposentados e pensionistas, alertou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A proposta, que reflete o voto de dois terços da comissão, projeta consequências criminais e políticas de longo alcance.
- Em resumo: Bolsonaro é apontado para responder por furto qualificado contra idosos, organização criminosa e improbidade administrativa.
Como o dinheiro saía do benefício para a campanha
Segundo Pimenta, parte dos valores subtraídos dos segurados teria irrigado as campanhas de Onyx Lorenzoni, do governador Tarcísio de Freitas e do próprio Bolsonaro, via depósitos do empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. A articulação, afirma o deputado, demonstra um comando centralizado. Detalhes do funcionamento da CPMI podem ser conferidos no site oficial da Câmara dos Deputados.
O documento também vincula o caso ao Banco Master, apontando “ligação direta” entre a instituição e o desconto irregular dos benefícios. Para os investigadores, nove grupos teriam atuado de forma estruturada dentro do INSS.
“Conseguimos demonstrar de forma categórica os crimes que elas cometeram. Não há indiciamento em série”, assegurou Paulo Pimenta.
Alvos, números e próximos passos
Ao todo, o relatório sugere o indiciamento de 201 pessoas — 130 agentes públicos ou privados — e recomenda que a Polícia Federal aprofunde a apuração sobre outros 71 investigados, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto ainda apresenta nove propostas legislativas destinadas a blindar aposentados e pensionistas contra novas fraudes.
Pimenta lembrou que os descontos associativos existem desde o governo Fernando Henrique Cardoso, mas ganharam contornos ilegais a partir de 2017, com explosão de autorizações duvidosas após 2019, durante a gestão Bolsonaro, quando uma mudança no decreto ampliou a lista de entidades aptas a debitar valores direto na folha dos beneficiários.
Crédito da imagem: Divulgação / AFP
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