Brasília, DF – Em entrevista concedida na madrugada das 2h30, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que moverá todos os recursos legais para responsabilizar a colega Fabiana Bolsonaro (PL-SP) pela encenação de blackface durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ato que acirrou o debate sobre racismo e fraude eleitoral.
- Em resumo: Hilton já protocolou ação no TSE e quer punição exemplar por crime de racismo e uso indevido de cotas.
Denúncia alcança esfera eleitoral
A parlamentar do PSOL revelou que a representação encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral questiona a autodeclaração racial de Fabiana Bolsonaro, que se declarou parda para disputar as cotas de campanha. Segundo Hilton, o gesto amplia a gravidade do episódio: não se trata apenas de injúria racial, mas também de possível fraude que fere a lisura do pleito. Dados sobre autodeclaração racial e cotas partidárias podem ser consultados no portal da Câmara dos Deputados.
Para movimentos negros, a pintura de rosto feita por Fabiana ao criticar a eleição de uma mulher trans para presidir a Comissão da Mulher na Câmara reforça estereótipos coloniais e normaliza a violência simbólica.
“Usar blackface para atacar outra parlamentar é racista e violento; não vamos naturalizar essa prática”, disparou Erika Hilton.
Reação pública e próximos passos
O vídeo da performance circulou nas redes e motivou nota de repúdio do Movimento Negro Unificado, que classificou a ação como “organizada para perpetuar o racismo que estrutura as mentes”. A pressão popular fortalece o pedido de cassação e pode acelerar a análise no Conselho de Ética da Alesp.
Em defesa, Fabiana Bolsonaro alegou que “a analogia foi clara” e negou intenção de chacota, dizendo que pretendia questionar a presença de pessoas trans em espaços reservados às mulheres. O argumento, porém, não diminuiu o clamor por sanções, que agora inclui pedidos de retratação pública e eventual inelegibilidade.
Enquanto aguarda a tramitação no TSE, Erika Hilton articula com bancadas antirracistas para que o caso sirva de precedente e desestimule novas ocorrências de blackface no cenário político.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil
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