
Brasília, 28 de janeiro de 2026 – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo) a atuar como terceiro interessado no processo que analisa a entrada da United Airlines no capital da Azul.
O instituto solicita ao órgão antitruste uma avaliação concorrencial “aprofundada e conjunta” da participação da United e da American Airlines na companhia aérea brasileira. Até o momento, apenas o aporte de US$ 100 milhões da United está em análise no Cade.
Preocupação com concentração de mercado
Segundo a presidente do IPS Consumo, Juliana Pereira, os riscos à concorrência decorrem tanto do investimento total projetado de US$ 200 milhões pelas duas empresas norte-americanas quanto da influência que ambas podem exercer na Azul. A entidade destaca:
- Participação acionária combinada de 17,6% na companhia;
- Presença simultânea em empresas concorrentes;
- Duas das cinco cadeiras previstas para o Comitê Estratégico da Azul.
Documentos anexados ao processo indicam que a United deterá 8,8% da Azul e 8,8% da ABRA, holding ligada à Gol. Para o instituto, esse posicionamento poderia produzir “efeitos típicos de um arranjo cartelizado, mesmo sem cartel explícito”.
A ex-conselheira do Cade Cristiane Alkmin alerta que, se a operação avançar sem restrições, a concorrência nas rotas Brasil–Estados Unidos e no mercado doméstico pode ser reduzida, com Azul e Gol atuando de forma alinhada e participação de mercado combinada estimada em 60%, restando 40% para a Latam.
Governança em debate
A nova estrutura societária prevê um Comitê Estratégico com cinco membros, dos quais dois seriam indicados pela United e pela American. O IPS Consumo argumenta que, para formar maioria em decisões sobre endividamento, frota ou nomeação de executivos, bastaria o apoio de um conselheiro adicional, aumentando a influência das estrangeiras.
Oferta de títulos da Azul
Na mesma data, a Azul anunciou o lançamento de uma oferta privada de títulos de dívida com vencimento em 2031. O objetivo é quitar empréstimos emergenciais contratados durante o Chapter 11 nos Estados Unidos e reforçar o caixa da companhia. Os papéis serão emitidos por uma subsidiária sediada no país norte-americano e contarão com garantias como receitas do programa Azul Fidelidade, Azul Viagens e Azul Cargo.

A empresa ressalta que a conclusão da operação depende das condições de mercado e que os títulos não serão oferecidos ao público no Brasil nem registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Mais detalhes sobre o funcionamento do sistema de defesa da concorrência podem ser consultados no site oficial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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Com informações de g1
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