Em entrevista a Narciso Machado em 22/07, o vereador anunciou que fará o requerimento quando a Câmara retomar os trabalhos. A apuração quer checar subsídios públicos, contratos e o cumprimento das obrigações das empresas.
Em entrevista concedida na manhã de 22/07 ao radialista Narciso Machado, o vereador Camilo Daniel (PT) informou que vai solicitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Aracaju para apurar a gestão do transporte público que atende à Grande Aracaju. O parlamentar declarou que o requerimento será protocolado assim que os trabalhos legislativos forem retomados após o recesso.
De acordo com o vereador, a proposta de investigação mira vários pontos do sistema, entre eles a aplicação de subsídios públicos, a celebração e o cumprimento de contratos com as empresas concessionárias, a qualidade do serviço oferecido à população, o estado de conservação da frota, as obrigações trabalhistas assumidas pelas operadoras e os mecanismos de fiscalização em vigor.
Um dos eixos que devem receber atenção especial da CPI, segundo Camilo, é a antiga operação da empresa Progresso. Ele sustenta que a companhia atuou por anos em situação irregular, sem alvará, com veículos sucateados e acumulando atrasos salariais e dívidas trabalhistas.
“A CPI precisa esclarecer como essas irregularidades persistiram por tanto tempo”, afirmou o vereador.
A mobilidade urbana tem sido pauta constante no mandato de Camilo Daniel. Em julho, ele e o deputado federal João Daniel (PT) lançaram um estudo técnico que traça diagnóstico do sistema e apresenta propostas de transparência, participação social, gestão pública do transporte e discussão sobre viabilidade do passe livre.
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Nos últimos dias, o tema voltou ao centro do debate após reportagem apontar que veículos utilizados pela Viação Modelo estariam registrados em empresas ligadas a grupo empresarial cujo proprietário foi condenado por corrupção, além de parte da frota ultrapassar a vida útil permitida. A SMTT disse que a titularidade dos ônibus não impede a operação, enquanto a empresa citada não comentou.
Para o parlamentar, as informações reforçam a necessidade de investigação mais ampla.
“É preciso entender como se dá a fiscalização dos contratos, os critérios para uso dos recursos públicos e o controle sobre a operação”, defendeu.
O estudo divulgado pelos gabinetes indica que a tarifa de R$ 4,50 é insuficiente para cobrir o custo técnico estimado de R$ 7,00 por viagem, diferença bancada com subsídios. O levantamento mostra ainda que o poder público desembolsou cerca de R$ 300 milhões para aquisição de ônibus elétricos e convencionais, e que os repasses mensais às concessionárias cresceram 87,5% em um ano, alcançando R$ 4,28 milhões em março de 2026. Entre janeiro e maio, mais de R$ 19 milhões já teriam sido destinados às empresas.
Apesar desses valores, o parlamentar sustenta que o sistema continua pouco transparente.
“O transporte da Grande Aracaju segue sendo uma caixa preta. A população paga tarifa, o poder público injeta milhões, mas dados sobre custos, receitas e desempenho permanecem de difícil acesso. A CPI é o instrumento para lançar luz sobre essas informações”, declarou.
A expectativa do vereador é reunir as assinaturas necessárias para instalar a CPI logo após o recesso, dando início aos trabalhos de coleta de documentos, oitivas e produção de relatório que deverá apontar responsabilidades e sugerir melhorias ao sistema.
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