Publicada em 29 de maio de 2026, a reportagem revisita a trajetória de Carlos Magalhães, 88 anos, um nome que se confunde com a própria história do rádio esportivo sergipano. Desde os primeiros passos na profissão, ele enxergou na tecnologia a chave para conquistar audiência e credibilidade, visão que manteve viva por mais de seis décadas no ar.
Magalhães começou na época do rádio de válvula, mas logo percebeu que a qualidade da transmissão dependia de equipamentos modernos e equipes bem treinadas. Foi assim que, ainda nos anos 1960, ele passou a importar microfones sem fio e sistemas de áudio considerados futuristas para o mercado local. O investimento, visto por muitos como ousado, resultou em coberturas mais limpas e no fortalecimento de seu nome junto ao público.
Um dos momentos que consagraram essa busca por soluções inovadoras ocorreu em 15 de agosto de 1969, na inauguração do Estádio Governador Lourival Baptista, o Batistão. Sergipe ainda não dispunha da estrutura da Embratel para transmissões nacionais. Mesmo assim, a cerimônia chegou a ouvintes de vários estados graças a uma linha telefônica improvisada.
“Na época não tinha Embratel em Sergipe. Nós conseguimos montar uma linha telefônica e transmitimos para o Brasil inteiro”, relembra.
Nos anos seguintes, enquanto muitas emissoras restringiam investimentos em esporte, Magalhães criou um modelo próprio: arrendar horários, contratar equipe, vender publicidade e reinvestir parte da receita em equipamentos. O contador Luiz Santana, que acompanhou a operação, explica a disciplina financeira exigida para o formato funcionar.
“O custo maior era a locação do horário na emissora. Era preciso controle rigoroso para honrar a folha e manter as novidades técnicas”, detalha.
A Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, consolidou essa fama de inovador. Sem dinheiro para levar repórteres ao estádio, ele apostou na transmissão off-tube via Skype, montando estúdio em Aracaju.
“Você sabe quanto gastamos em toda a cobertura? Apenas dois mil reais”, conta, com orgulho.
Para o ex-diretor de rádio Messias Carvalho, coragem e visão sempre foram marcas do comunicador.
“Muita gente chamava de loucura, mas ele acreditava e fazia acontecer”, afirma.
O presidente da Federação Sergipana de Futebol, Milton Dantas, também reconhece o peso desse legado.
“Mesmo com mais de 80 anos, ele segue transmitindo jogos e valorizando o futebol sergipano”, destaca.
Hoje, Magalhães continua formando profissionais, estudando novas plataformas digitais e mostrando que, no rádio, a inovação não tem idade. O resultado é um legado que inspira narradores, repórteres e torcedores, reafirmando o papel do rádio esportivo como elo entre a arquibancada e quem acompanha as partidas em qualquer canto do estado.
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