O senador Carlos Viana (Podemos-MG) informou nesta terça-feira (3) que optou por “aguardar mais alguns dias” a definição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre o pedido de prorrogação por 60 dias da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS. A decisão posterga a intenção inicial de ingressar nesta quarta-feira (4) com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Viana, a conversa que manteve com Alcolumbre lhe deu “esperança” de que o assunto seja resolvido internamente. Ele ressaltou que recorrer ao Judiciário nunca foi seu objetivo, pois defende que o Parlamento “tenha autonomia, responsabilidade e firmeza” para resolver questões regimentais.
O parlamentar explicou que, para prorrogar a CPMI, é necessário coletar as assinaturas exigidas e protocolar requerimento para leitura em plenário. Até agora, afirmou, nenhum documento foi oficialmente apresentado. Viana disse desconhecer a alegação do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) de que teria entregue o requerimento e ele teria “sumido”.
Quebra de sigilo e reação da base governista
Na sessão de quinta-feira (26), a CPMI aprovou a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que gerou tumulto entre parlamentares. Integrantes da base protocolaram pedido para anular a decisão, mas Alcolumbre rejeitou o recurso nesta terça-feira. Viana declarou não ter se surpreendido, dizendo ter seguido “rigorosamente” o regimento e prometeu submeter a votação “qualquer requerimento, seja de quem for”.
Calendário e próximos passos da CPMI
Instalada em 20 de agosto, a comissão já realizou 32 reuniões e concentra seus trabalhos na análise de fraudes em empréstimos consignados oferecidos a aposentados e pensionistas. Em 2025, ouviu Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como articulador de um esquema que teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses.
De acordo com o calendário oficial de 2026, a CPMI tem audiências marcadas até 19 de março; a apresentação do relatório final está prevista para o dia 23, e a votação, para 26.
Viana afirmou que buscará “consenso” entre os líderes para produzir um texto final que “atenda a todos os lados” com base nas informações colhidas.
Fonte: Jovem Pan
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